domingo, 29 de maio de 2011

Igreja Hillsong lança curso que ensina a ressuscitar mortos

Igreja associada à Hillsong Church promove “Escola Sobrenatural” onde ensina a ressuscitarmortos

A igreja Hillsong, baseada na Austrália, ficou famosa no mundo todo por causa das músicas de seu ministério de louvor. Atualmente, tem chamado a atenção pela controvérsia envolvendo a promoção da chamada “Escola do Sobrenatural”. Uma das igrejas associadas à Hillsong está oferecendo um curso que promete ensinar como curar o câncer, restaurar mulheres estéreis e trazer os mortos de volta à vida.

Setenta pessoas já estão matriculadas no curso de seis meses dirigido pela Igreja Westlife, em Brisbane. O curso é baseado nos ensinamentos da Igreja Betel, com sede nos EUA e liderada por Bill Johnson, que ensinará os alunos através de uma série de DVDs.

Yvonne Baker, uma das responsáveis pelo curso, explica que vários milagres já ocorreram na igreja e há grandes esperanças que os ensinamentos da Escola de Evangelismo Sobrenatural contribua para que ocorram muitos outros.

O site da igreja diz: “A Escola do Sobrenatural foi projetada para capacitar os alunos a viver e mover no sobrenatural, através do ensino bíblico e aplicação prática – buscando ver o reino de Deus manifestado na terra. É um ambiente no qual as pessoas podem correr riscos de aprender a operar no sobrenatural, sem medo da rejeição ou do fracasso”.

Um porta-voz da Igreja Westlife rejeitou as acusações que estavam oferecendo promessas irreais: ”Compartilhamos a convicção de todas as igrejas cristãs, de todas as denominações, que Deus pode responder à oração e intercedemos pelos que estão com necessidades físicas, emocionais e espirituais… Nosso ensino sobre este assunto é idêntico à maioria das igrejas cristãs”.

Bethel School Of Supernatural Evangelism from ibethelVideo on Vimeo.



A sede da igreja fica na região que foi duramente atingida pelas inundações devastadoras que ocorreram na Austrália no início deste ano.

Fonte: Amigo de Cristo

Ainda tem gente de Deus - Gladir Cabral (Casa Grande)

O controlador de tudo


O meu Deus fiel virá ao meu encontro e permitirá que eu triunfe sobre os meus inimigos. (Sl 59.10.)

DEUS É SENHOR DE TUDO E DE TODOS. Ele programa. Ele realiza. Ele controla. Ele vigia. Ele alimenta os pássaros e veste a erva do campo (Mt 6.26, 30). “O que ele abre ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir” (Ap 3.7). Se não fosse assim, Ele não seria Deus.

O salmista tinha conhecimento dessas características de Deus e por isso escreveu: “O meu Deus fiel virá ao meu encontro e permitirá que eu triunfe sobre os meus inimigos” (Sl 59.10).

Esse singelo registro do poeta reveste-se de beleza muito maior se a palavra de Paulo, muitos anos depois, for lembrada: “Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar” (1Co 10.13). Uma coisa reforça a outra e mostra a intervenção de Deus em nossas adversidades. Ele não permite uma coisa e permite outra. Não permite a injustiça da tentação descomunal e permite o triunfo sobre qualquer outra tentação.

Em razão desse controle, às vezes mais conhecido pelos seres demoníacos do que pelos seres humanos, Satanás teve de pedir permissão a Deus para testar o homem da terra de Uz (Jó 1.12; 2.6) e para “peneirar” como trigo Pedro e os demais apóstolos (Lc 22.31). A liberdade das trevas é uma liberdade relativa, é uma liberdade vigiada, é uma liberdade trancada dentro dos limites definidos por Deus.

Retirado de Refeições Diárias Com Sabor dos Salmos (Editora Ultimato, 2006)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Igreja dos EUA atribui culpa de abusos por padres à revolução sexual

Um estudo oficial encomendado pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que acaba de ser publicado, atribui os casos de abuso sexual e de pedofilia dentro da Igreja às mudanças sociais que dizem ter confundido o clero.


De acordo com o estudo, citado pelo diário espanhol El Mundo, o problema não está nem na homossexualidade nem na pedofilia ou em outras coisas singulares. A culpa é mesmo da revolução sexual dos anos 60 e 70 e do efeito que esta teve nos padres que estavam pouco preparados para a situação – o que se traduziu em abusos e violações de crianças em paróquias e colégios católicos norte-americanos.


O documento agora terminado foi encomendado em 2006 e custou mais de 1,2 milhões de euros, suportados na sua maioria pela Conferência Episcopal, por organizações católicas e numa proporção menor pelo Governo.



“O aumento dos casos de abuso entre os anos 60 e 70 foram influenciados por factores da sociedade em geral”, diz o estudo, elaborado pelo Colégio de Justiça Criminal John Jay da Universidade da Cidade de Nova Iorque. “Outros factores que se mantiveram invariáveis ao longo do período de tempo analisado, como o celibato, não são responsáveis pelo aumento ou redução dos casos de abuso nesse espaço de tempo”, acrescenta o documento, que salienta que “o estado de confusão facilitou os abusos”, assim como a reacção da hierarquia eclesiástica que não os soube resolver.



O estudo contraria, assim, algumas das desculpas que foram sendo utilizadas pelo clero, que dizia que a Igreja tinha sido infiltrada por homossexuais e pedófilos. “A conclusão mais significativa desta informação é que não há uma mudança psicológica, de desenvolvimento ou comportamento, que diferencie os padres que abusaram de menores dos que não o fizeram.”



Vítimas indignadas



Conclusões que deixaram indignadas algumas associações que representam as vítimas de abusos que ocorreram no seio da Igreja. “Se há alguém a quem culpar é às dioceses e aos bispos que sabendo dos casos desses depravados os mandavam para outros colégios onde podiam continuar a cometer abusos. Nunca durante esses anos os entregaram à polícia ou aos tribunais. Esse estudo de Colégio de John Jay foi feito com informação autorizada pelos bispos. Não deram aos investigadores autoridade legal para entrevistar os abusadores e por isso chegaram a este tipo de conclusões ridículas. É um relatório pago pelos bispos, com informação dos bispos e que chega às conclusões que querem os bispos”, afirmou ao El Mundo Barbara Blaine, fundadora da Rede de Sobreviventes de Abusos por parte do Clero.



De acordo com um estudo feito pela mesma instituição em 2004, entre 1950 e 2002 foram registadas nos Estados Unidos quase 11 mil denúncias de abusos sexuais contra o clero, sendo consideradas credíveis quase 7000. Só entre 2004 e 2008 a Igreja gastou quase 1500 milhões de euros em acordos extrajudiciais de indemnização às vítimas, serviços psiquiátricos para as vítimas e em litigação.



Novas orientações do Vaticano



A publicação do documento coincide com uma posição avançada esta semana pelo Vaticano, que ordenou aos bispos que levem à Justiça os membros do clero suspeitos de pedofilia e os impeçam de exercer funções que possam representar perigo para os menores.



“O abuso sexual de menores não é apenas um delito no plano canónico. É também um crime que deve ser processado no plano civil”, referiu, numa carta circular, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal William Levada. O cardeal sublinhou a necessidade de “procedimentos claros e coordenados” contra “o abuso sexual de menores” e pediu aos bispos para os completarem. “A obrigação de dar uma resposta adequada aos casos de eventuais abusos sexuais cometidos sobre menores por clérigos na sua diocese está entre as importantes responsabilidades de um bispo diocesano”, sublinhou o cardeal, que deste modo confere aos bispos um papel central na luta contra a pedofilia.



O cardeal lembrou que o Papa Bento XVI promulgou em Maio de 2010 uma instrução sobre o modo de lidar com a pedofilia no seio do clero. Os bispos têm até ao fim de Maio de 2012 para fazerem chegar à Congregação contributos que permitam estabelecer “directivas completas”. A denúncia de casos de pedofilia, principalmente nos Estados Unidos, Austrália, 

Irlanda, Bélgica e Alemanha, mergulhou a Igreja Católica na sua maior crise dos últimos anos.


Por: Público (de Portugal)


Comentário de Avelar Jr.: Piada de mau gosto pronta, não é? Veja bem: estudo que custou € 1.200.000,00 (cerca de 2 milhões e 800 mil reais) "explica" que a culpa da pedofilia e dos abusos sexuais cometidos pelo clero é dos anos 60 e 70 e da confusão sexual que estes trouxeram para as cabecinhas dos religiosos! 

O clero, pobrezinho, nunca soube que perversões e tentações sexuais vêm do coração do homem e que sempre existiram (1 Co 10.13; Mt 7.20-23; Tg 1.14), e que cada um é responsável pelo próprio pecado, devendo vigiar e orar para que não caia nele (Gn 4.7; Tg 1.14) -- dentre o clero, ainda há os que sabiam e se calaram, permitindo que tais coisas continuassem a ocorrer impunemente (Rm 1.32): todos inocentes, "despreparados", pegos de surpresa pela maldade que só existe "no mundo" e "nos outros". 

Evangélicos, nem riam! Pois se isto tivesse ocorrido no nosso lado, iriam dizer que "Foi o diabo!". Porque costumam jogar nele todas as falhas de caráter que não assumem que são suas ou de seus intocáveis e injulgáveis "ungidos". E talvez o estudo custasse até mais dinheiro.

Passagens bíblicas relacionadas ao comentário:


Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. – 1 Coríntios 10:13

Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. – Gênesis 4:7

E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem. – Mateus 7.20-23

Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. – Tiago 1.14

Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. – Romanos 1.32

sábado, 14 de maio de 2011

Mediocridade, uma conveniência evangélica

Estava pensando hoje ao acordar como os evangélicos pensam pequeno. Acredito que o pensamento medíocre seja um dom altamente desenvolvido em nosso meio, inconscientemente, mas não um dom vindo da parte de Deus, visto que deixa de lado a sabedoria e, muitas vezes, o temor d’Ele.

Lembrava-me de como não temos visão para movimentarmos mundos e fundos para erguer um orçamento de mais de um milhão de reais porque “Mr. Sicrano Máximus”, grande pastor conferencista de televisão, queria fazer uma apresentação de dois dias num megapalco, em uma grande cidade brasileira, a pretexto de pregar o evangelho. Penso o que esta mesma quantia poderia fazer a curto, médio e longo prazo se distribuída entre vários missionários que estão passando dificuldade na África e em outros países da América do Sul, enviados por igrejas realmente interessadas em missões, principalmente levando-se em conta que, em muitos desses lugares, o câmbio faria o dinheiro render ainda mais.

Às vezes concentramos todo o esforço num megashow de dois dias, interessados em que muitas mãos sejam levantadas e contadas, e que a cifra dessas “conversões” seja alta o bastante para nos fornecer um atestado de espiritualidade e serviço cristão para que os críticos possam ver, uma estatística interessante para que os fãs possam se gloriar e para que os colaboradores não se desanimem.

Não nos ocorre que aquelas pessoas depois de levantar as mãos, impelidas por emoção, depois de uma apresentação onde se fez de tudo para que elas chorassem e deixassem a razão de lado para “aceitar Jesus”, vão voltar a pensar uma segunda vez, parar de chorar e, possivelmente, não ter impacto algum. Não nos importa que elas não pensem no que vão ter que renunciar ou sofrer para seguir o mestre, nem que calculem o preço de deixar tudo para não ter que desistir no meio do caminho (Lucas 14-26-33); tampoco queremos saber quem irá lhes ensinar a ser um discípulo, depois da queda dos confetes, transmitindo-lhes tudo o que ele havia ensinado.

Em se tratando de coisas assim, quanto menos se pensa, melhor para quem lucra.

O show terminou. Já temos a estatística. Já temos um laurel. Por que achar que fazer missões é fazer discípulos (ensinando-os, batizando-os, ajudando-os a descobrir e desenvolver seus dons, oferecendo-lhes apoio em suas necessidades materiais e espirituais...), se eu posso [convenientemente] pensar que basta transmitir o “Plano de Salvação” e mandá-lo embora com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, abandonando o prospecto discípulo ao Deus dará?

Há alguns anos, vi uma cantora evangélica que, tendo em vista o anúncio de um iminente contrato dela com a Som Livre, atacou dizendo que os evangélicos invadiriam a mídia secular, que haveria novelas evangélicas (juro que quando vi o vídeo explodi em gargalhadas, imaginando a breguice que seria; porque evangélicos sempre gostam de fazer um "genérico santificado" para si das coisas que invejam do “mundo”, atestando contra si que este consegue fazer quase tudo com uma qualidade melhor, só que  irremediavelmente “mundano”, para que justifique fazer-se uma cópia barata gospel para os crentes). Obviamente os fãs colheram esta “pérola” como uma profecia de “cousas ocultas... mistérios...” vinda do Espírito Santo...

Entretanto, na época anterior à da “profetada”, Aline Barros já tinha contrato com a Som Livre e já tinha passado em vários programas de TV (inclusive na “Rede Esfera”); pastores e igrejas já tinham jornais, rádios, canais de televisão e horários adquiridos da grade de canais não-religiosos (nos quais alguns religiosos gospel já passavam mais tempo que gado no Canal do Boi ou propaganda da TekPix - virando o relógio, mas não o disco, quando o assunto é pedir mais e mais dinheiro). Se os católicos de sucesso vez por outra sempre passaram na mídia secular sem fazer alarde de pobre besta quando fica rico, lógico que os evangélicos já estavam a caminho inevitável disso, como o próprio cenário demonstrava em simples observação, pois se a população evangélica cresce... 

Profetas do óbvio são dispensáveis e não são profetas, mormente quando fingem ser. Não precisamos desses exemplares, mas, urgentemente, de babás.

O que me deixa triste é por que os evangélicos invejam tanto a fama e a oportunidade da mídia secular quando temos potencial para fazer muito melhor sem ela. O alcance que a mídia televisiva tem de público não é tanto quanto podemos atingir se apenas fizermos nosso papel, vivendo como servos de Cristo em nossa família, nosso local de trabalho, nossa vizinhança, no relacionamento com pessoas desconhecidas e nos campos missionários...

A televisão não tem o poder de fazer um amigo, de conhecê-lo profundamente e por anos, de compartilhar momentos bons, ruins e uma boa palavra, de cuidar ou de amar. A televisão não pode interagir, escutar seus problemas, trazer um bom conselho na hora em que você precisa, ajudar-lhe com suas necessidades prementes, nem mostrar-lhe, na prática, um pouco de Deus.

Eu questiono seriamente esse querer demais o que o mundo pode dar, quando Jesus recusou as tentações de autossuficiência, fama, poder, riqueza e glória deste mundo que Satanás lhe fez. Para quê eventos públicos caríssimos, de questionáveis resultados espirituais, e o desespero por utilizar-se a ferro e fogo da mídia secular, que com ela traz todo um pacote contratual que limitaria nossa liberdade cristã de pregar o evangelho como ele de fato é, exigente  e exclusivista?

De acordo com Mateus 28.19-20, temos a missão de fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu [Jesus] vos tenho mandado.”

Mas parece que estamos apenas torcendo para que meia-dúzia de ídolos gospel, a quem delegamos nosso papel de louvar, engrandecer a Deus e fazer discípulos, o façam na caixinha boba de elétrons em nosso lugar, para que o mundo veja seus brilhos, polichinelos, mortais de costas, bordões toscos, quedas, gritarias, gemidos, urros, imitações de animais e holofotes seculares alugados, e, quiçá, no futuro, também, suas cafonas novelas farisaicas que mostrariam a vida “gospel” limitada a coisas imitadas do “mundo” - para mais desgraça e vergonha nossas.

É bem conveniente mesmo para nós, evangélicos, abdicar do nosso mister de discípulos e estabelecer e financiar “representantes” que o sejam em nosso lugar, mesmo que eles tenham modos excêntricos e questionáveis – basta que sejam a única casta do nosso meio que goze de “intocabilidade ungidástica”, do mesmo jeito que os deputados gozam de imunidade parlamentar, só que... “gospel”. 

Outro problema é que nossos “representantes” não fariam, como não fazem a contento, nosso papel de pregar a verdade como ela é: pois a verdade desagradaria uma parcela do mercado consumidor dos produtos deles, e eles deixariam de lucrar mais. Mas, não  precisaríamos nos apoquentar, nós (re)compensaríamos isto – como já o fazemos – enriquecendo-os pela compra de seus CDs, DVDs, livros, bonecos, chaveiros, cadernos, garrafinhas de água, relógios de pulso, camisetas, bonés...

Por Avelar Jr.
Também postado no Não, Obrigado!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sou do Ceará

Ricardo Gondim

Ser do Ceará é mais do que nascer no Ceará, é conseguir reconhecer, à distância, uma cabecinha redonda, um sotaque cantado, uma orelha de abano, um jeito maroto de encarar a vida.

Ser do Ceará é saber a estação certa de colher um sapoti, conhecer os vários tipos de manga e nunca comprar ata verde demais; é dar sabor a um baião de dois com queijo coalho.

Ser do Ceará é gostar de cocada, de suco de tamarindo, de siriguela vermelha, de água de côco docinha.

Ser do Ceará é engolir o final dos diminutivos – cafezinho vira cafezim; Antônio vira Toim; bonzinho vira bonzim. Lá se fala aperreio na hora do sufoco; o apressado é avexado; o triste fica de lundu; quem cria problemas, bota boneco.

Ser do Ceará é morar onde os muros são baixos; lá todo mundo sabe da vida alheia. A melhor conversa entre cearense é fofocar. Aparecer em coluna social sempre foi o máximo. Pense nos que pertencem a família com pedigree? Eles fazem parte dos eleitos: Studart, Frota, Távora, Jeiressati, esses, sim, são considerados o supra-sumo.

No Ceará não se compra casa do lado do sol; ninguém valoriza casa com a frente voltada para o poente. O sol não perdoa; é inclemente, ardido, feroz, cansativo. No Ceará, quem não souber lidar com o astro rei, dura bem poquim. Entre dez da manhã e cinco da tarde, esse bichim brilhante deixa todo mundo melado; não existem peles secas no Ceará, todas são oleosas.

Ser do Ceará é aprender a dormir de rede, a gostar do cheiro de lençol limpo, a tomar banho frio, a valorizar a brisa do mar. Lá o perfume de sabonete tem outro valor. No Ceará as mulheres não usam meias finas, os homens não toleram gravatas e as crianças não sabem o que é uma blusa de lã.

Ser do Ceará é ter orgulho de afirmar que pertence à terra de José de Alencar, Patativa do Assaré, Fagner, Eleazar de Carvalho, Clóvis Bevilácqua. Lá amam-se as artes. Não tem coisa mais bonita que assistir a um repente na praça do Ferreira. Como se cria repente com facilidade. Está no sangue conversar com rima.

Ser do Ceará é lidar com umidade, com camisas empapadas de suor, com mofo, com moscas aos milhões, com muriçocas impertinentes, com baratas avantajadas, com viroses brabas, com desidratações súbitas. Lá os fracos morrem rapidim. O darwinismo, teoria da sobrevivência dos mais fortes, se prova facim. No Ceará, nuvens negras são prenúncio de bom tempo e relâmpago, uma bênção. Em dia chuvoso ninguém quer sair de casa.

Ser do Ceará é rir por tudo. E tudo vira piada. Em um dia lendário, estava nublado, quando o sol resolveu rebentar as nuvens… e levou uma sonora vaia. Não conheço nenhum povo que tenha vaiado a estrela maior.

Os cearenses são antes de tudo uns fortes. Ao mesmo tempo, deliciosamente bons e perversamente maus. Lá é terra de pistoleiro e de santo, de revolucionário e de coronel caudilho, de guerreiro e de preguiçoso.

Sou cearense. E por mais que tenha me afastado, não consegui apagar o meu amor pelo chão que me acolheu no mundo. Lá nasci, casei e tive filhos. No Ceará, despertei para o mundo, como também, infelizmente, sepultei o restim de esperança que nutria pela humanidade. O Ceará foi o meu ninho e é o túmulo dos meus ideais. Em Fortaleza, tive as maiores alegrias e as mais duras agonias.

Contudo e apesar de tudo, continuo enamorado do meu berço. Não pretendo desvencilhar-me de ti, loira desposada do sol.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondim

sábado, 7 de maio de 2011

Igreja Cristã Contemporânea inaugura mais um templo e comemora decisão do STF



Os pastores Marcos Gladstone e Fábio Inácio inauguram, neste sábado, o sétimo templo da Igreja Cristã Contemporânea, em Duque de Caxias. A cerimônia será especial, pois comemora também a vitória conquistada, quinta-feira, com o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da união estável entre casais do mesmo sexo.

- O reconhecimento traz para nós segurança e a sensação de que nós existimos. Estamos juntos há cinco anos, temos dois filhos, mas não éramos uma família reconhecida. É muito ruim saber que o nosso amor é diferente para algumas pessoas. Se a Bíblia diz que Deus é amor, como Ele não reconheceria o amor entre duas pessoas?

A Igreja Cristã Contemporânea nasceu há cinco anos para incluir gays no ambiente cristão. Hoje a entidade tem cerca de 1.500 fiéis.

Marcos e Fábio protagonizaram, ano passado, o primeiro casamento entre pastores evangélicos homossexuais do país. Para Marcos, a próxima luta será pela união civil.

- O único direito que falta para nós agora é o casamento. Somos casados no religioso, mas vamos lutar pela união civil.

A inauguração do sétimo templo da Igreja Cristã Contemporânea será às 19h. O endereço é Rua Marechal Floriano 531, Bairro 25 de Agosto - Duque de Caxias.

Fonte: Globo


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Anjo-Massageador-Sueco-Valadético-Plus-DT


As suas orelhas gospel estão pegando fogo?

Você não suporta mais ser criticado e nem quer saber que as críticas contra você têm razão de ser?

Com o novo Anjo-Massageador-Sueco-Valadético-Plus-DT, seus problemas se acabaram!

Ele é invisível, silencioso, fofinho e com cheirinho de chuva! A potente massagem angelical confortará suas costas e trará paz ao seu ego!

Com seu poderoso sistema de duplo turbilhonamento centrífugo de cinco marchas, capaz de alcançar 318 milhões de rotações por minuto, as micro-ondas etéreas de longo alcance farão com que você consiga ouvir apenas elogios, fazendo-o sentir com o coração elevado até as nuvens.

Nem Jesus na terra teve tanto conforto!

E não é só isso! ligando a função "Angelical-Back-Up-Now", ele poderá segurá-lo se você cair para trás ou rir demais para impedir que se machuque, ajeitar sua saia para que você não exponha suas indecências, limpar suas lágrimas, retocar sua maquiagem, esconder sua carteira de dinheiro a fim de protegê-la e lhe abanar com as asas gentilmente - tudo ao mesmo tempo e num piscar de olhos!

Ele funciona com 110, 220 volts e energia solar. Não funciona no acendedor de cigarro, porque fumar é pecado!

E, pedindo agora, nós lhe enviaremos completamente grátis com o seu Anjo-Massageador-Sueco-Valadético-Plus-DT um poster furta-cor do Leão-da-Montanha que brilha no escuro e ministra risos só de olhar.

O que você está esperando? Ligue já!

Comentário de Avelar Jr.: Não sei se passou na cabeça de vocês a mesma pergunta que passou na minha: "O que os anjos fazem quando não têm nada melhor para fazer?" 

(Bom, porque eu presumo que anjos servem a Deus, consolam e protegem as pessoas, e que nós já temos o Consolador, o Espírito Santo dentro de nós, que é o próprio Deus.)"

Resposta: eles massageiam as costas de crentes-celebridade que estão se lamuriando porque receberam críticas de internet. 

Enquanto isso, os missionários que estão pregando o evangelho em péssimas condições, por vezes esquecidos pelos que crentes não estão, e sob implacáveis perseguições em países do Oriente Médio, África, Ásia, etc. que se danem?

Nunca vi tanta frescura e criancice no meio evangélico! As celebridades julgam os da internet e não podem ser julgadas... Eles são melhores que quem? Que os missionários que não têm uma vida confortável como a deles? Que pessoas que se esforçam para servir a Cristo em suas igrejas e fora delas? Que pessoas que estão em casa ou rodando o mundo em busca de Deus? Que pessoas que vendo o comportamento muitas vezes inconsequente deles tentam alertá-los dos seus maus caminhos e atitudes de vez em quando?  Que pessoas fracas, que não têm discernimento e estão engatinhando na fé? Que pessoas que passam anos de sua vida estudando teologia ou fazendo faculdade a fim de oferecer seu esforço e serviço ao Senhor e à sua igreja? Que pessoas que por algum motivo não encontram uma boa igreja para congregar?

Até onde sei, somos todos pecadores, remidos pelo sangue do mesmo Jesus, recebemos o mesmo Espírito Santo, temos que nos arrepender e crer do mesmo jeito, fazemos parte do mesmo corpo (a igreja), e gozamos dos mesmos graça e obrigações diante de Deus. Todos pecadores.

Olha, antes que venha a chuva de críticas de fãs revoltados, pensem nisto: Jesus disse que seríamos perseguidos por causa do nome dele, sim, mas é quando pregamos e vivemos o evangelho de Jesus Cristo (sua vida, crucificação, ressurreição; nosso pecado, o preço do pecado, o perdão do pecado somente em Jesus Cristo, arrependimento e fé), não quando fazemos showzinhos e palhaçadas usando o nome de Deus e algumas destas vêm a público. E mais: Quando nos tornamos pedra de tropeço e agimos errado e/ou com excessos somos criticados com razão, não podemos reclamar de nada. Engraçado é que não se queixam dos próprios pecados no microfone, mas apenas dos "pecados" alheios. Conforto, hein?

Se Jesus recebeu críticas sendo perfeito e pagou pelos pecados que não cometeu, como nós imperfeitos podemos reclamar e ficar esperando "anjos massageadores" que descem do céu para nos consolar das críticas que merecemos pelos nossos próprios erros?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Livro “Ímpio: O Evangelho de um Ateu” a história real de (mais) um ex-evangélico

O jovem escritor Fábio Marton está embarcando no sucesso de vários livros de e para ateus, em “Ímpio: O Evangelho de um Ateu” o autor busca desacreditar as crenças em Deus e na doutrina evangélica através de sua experiência de vida na Igreja Assembléia de Deus durante a adolescência.

Se designando como o “primeiro pró-ateu brasileiro”, se equiparando a outros famosos militantes da causa anticristã no mundo, lança seu primeiro livro, publicado pela editora LeYa.

Em entrevista para o site Vice, o escritor conta histórias diversas, desde pregar no púlpito enquanto ainda era apenas uma criança até subir no telhado para ver o mundo acabar. Fábio também chama o seu antigo Pastor de “pistoleiro” e diz que o falar em línguas estranhas, conhecido como ser batizado no Espírito Santo nas igrejas pentecostais e neo pentecostais, é um farsa comprovada através de pesquisas científicas.

Entrevista com Fábio Marton sobre o livro “Ímpio: O Evangelho de um Ateu” 

Vice: Você virou as costas pra Deus, então.
Fábio Marton: Sim.

Por quê?
Basicamente, é o seguinte: eu sou neto de um pastor da Assembleia de Deus, então a família inteira era crente pentecostal do tipo “sai capeta!”, milagres e tal. Daí já queria entrar porque, sei lá, eu admirava ele quando criança. Virei ateu com 17 anos de idade. Foi por conta própria, não teve nenhum mentor pra me guiar nisso. Eu simplesmente falei: “Ah, não acredito”. Mas também não vou dar um spoiler do que exatamente aconteceu, porque é uma coisa gradual que vai acontecendo ao longo do livro. Enfim, tive muitas experiências bizarras por ser evangélico: falei em línguas estranhas, o que na época achei ser um milagre. Também achei que tinha ganhado um dente de ouro de Jesus, subi no telhado pra ver o mundo acabar… Mas tem uma história por si, pra quem não tá interessado em religião. Eu era nerd pra caramba, vivia sozinho, de repente tudo ficou uma desgraceira… Então acho que tem mais coisas que simplesmente religião, uma coisa de desenvolvimento mesmo.

Como foi essa libertação?
No começo foi maravilhoso. As coisas começaram a dar certo, porque antes eu achava que tudo ia cair do céu. Foi muito alívio. Na verdade, eu tive umas recaídas, de ficar p da vida, xingar Deus… Mas agora não faz parte da minha vida, ficou esquecido já tem quase 16 anos. Mas ainda falo coisas tipo “pelo amor de Deus”, “Ai, Jesus!”. Tô nem aí. Ah, teve um negócio com uma prima também, mas isso foi depois, quando me livrei de Jesus.

Você entrou com dez anos, né?
Dez anos não na prima, na igreja. [risos] Na verdade acho que foi mais ou menos com oito, porque minha mãe era católica e meu pai estava afastado, aí quando eu tinha uns oito anos ele resolveu voltar. Só que achou um pastor muito louco, que fabricava munição pra revólver e tinha um stand de tiro. Isso foi em Osasco. Como falei na capa, eu nasci em Osasco, mas não tenho culpa disso. [risos] Metade da história se passa em Osasco e metade em Curitiba.

Mas teve alguma mágoa envolvida nesse abandono.
Não foi só isso, entende? É todo um processo de contradições, de pensar as coisas… Passei a adolescência super sozinho, tive tempo pra caramba pra pensar, então é toda uma sequência de coisas que levou a isso. Tem uma carga emocional sim, mas não foi simplesmente uma coisa impulsiva. Foram várias coisas que via que não estavam certas, que não estavam legais… Coisas que deram pra caber no livro, afinal. Mas foi um processo lento. Por que não virei ateu quando aconteceu a tragédia que está no livro? Porque não tava pronto pra isso. Foi um baita baque, uma grande desgraça, mas eu não tinha a concepção filosófica pra isso. É uma coisa filosófica virar ateu, não tem como virar ateu sem filosofia. No máximo você vira herege, sabe, enchendo o saco dos outros e ouvindo Marilyn Manson. É uma formação complexa, leva tempo.

E sobre a língua dos anjos, que é como chamam essas tais línguas estranhas…
Tem duas coisas. Primeiro, a Bíblia não menciona língua dos anjos porcaria nenhuma. Quando aparece Pentecostes, e é por isso que as igrejas são pentecostais, eles falavam línguas das pessoas, e as pessoas que eram estrangeiras reconheciam essas línguas. Isso é uma coisa. Outra coisa é que um estudioso americano, não lembro o nome dele agora, mas tá no livro, pesquisou línguas estranhas e descobriu que cada país do mundo, em cada região, fala uma língua estranha diferente. E ela sempre parece com a língua que as pessoas falam localmente, com os mesmos fonemas. Por exemplo: no japonês não existem várias letras, como o “V”, então você nunca vai ver um crente lá do Japão falando a letra “V”. A língua sempre se parece com a língua local, então existem várias línguas estranhas no mundo, cada país fala de um jeito. Ele conseguiu provar isso. A língua que eu falava, por exemplo, era uma que se falava nos anos 80 em São Paulo.

Pelo que eu vejo os pastores falando hoje, é diferente. Então eles já começaram a falar outra língua estranha. É um bláblábá de outras pessoas que você fala igual. E se você for reconhecido como um crente dentre eles e começar a falar, eles vão achar isso lindo — vão achar que você foi batizado pelo Espírito Santo, entendeu? Você também vai achar. Mas não tem nenhum mistério nisso.

Tá no livro que você chegou a ser mini pastor.  
Sim, subi pra pregar algumas vezes na igreja do pastor maluco e umas duas vezes na Assembleia de Deus. A igreja do pistoleiro tinha, sei lá, umas vinte pessoas. Era uma coisa minúscula. Mas preguei lá em cima. Não filmaram, né, não tinha YouTube nem nada mas eu ia lá e pregava.

Você era bom nisso?
Acho que eles consideravam bonitinho só, pra ser sincero. Eu era um moleque gordinho, nerd, com uma camisa social, pancinha apertada na camisa social. Era mais tipo “deixa eu apertar a bochecha do pastorzinho”. Não era uma coisa muito séria. 

Aconteceu algum milagre durante as suas pregações?
Não, mas consegui ajudar a expulsar o demônio da minha mãe e também expulsaram um capeta meu uma vez.

Alguma hora você acha que pode acontecer algo que te faça voltar a crer?
Sei lá o que vou ser no futuro. Já mudei de muitas ideias, mas essa foi uma que não mudei. Quando era crente não sabia que ia virar ateu, então não posso te dizer isso. Aparentemente, por tudo o que eu penso hoje, acredito que não. Se eu tivesse achando que com certeza estaria achando tudo aquilo pelo resto da vida, ainda seria religioso. Ainda teria uma idéia imutável das coisas, que é tudo perfeito. Não, não tenho. Só não tenho motivo nenhum pra acreditar. Mas não defendo essa idéia com unhas e dentes e vou calar minha mente pra qualquer coisa que possa surgir em contrário. Não é assim que sou. Eu era assim quando eu era crente – ouvia argumentos pró-ateu e calava essas idéias na minha cabeça porque eram coisas do Diabo, mas não faço isso mais hoje.

Você chegou a ter outra crença antes?
Antes de virar crente, quando meu pai tava afastado da igreja, minha mãe me levou a uma mãe de santo. Sabia que mãe de santo era coisa do capeta porque meu avô era pastor e falava isso. É a parte que abre o livro — que, aliás, dá pra ler de graça na internet. E sei lá, eu tinha sete anos, e na minha cabeça tava disputando com a mãe de santo. Ela mandava as energias macumbeiras pro meu lado e eu mandava as energias de Jesus pro lado dela. Ficava rezando pra Jesus, pedindo pra ele me proteger da macumbeira. Até que ela falou: “Esse menino tem fé”. Pensei: “Haha, te peguei. Jesus é mais forte que suas macumbas”.

Afinal, é um livro contra o cristianismo?
Eu dou o meu lado da história. Um menino pastor que virou ateu. Não acho que o cristianismo seja uma praga intelectual que vai destruir e tal, que o cristianismo seja igual à Inquisição. Você não entende o mundo Ocidental sem o cristianismo, e não só coisas ruins surgiram dele. A filosofia Iluminista é o cristianismo 2.0. Você pega coisas do tipo “amais uns aos outros” e transforma de maneiras filosóficas. Não sou contra o cristianismo, mas acho que ter uma religião cristã é desnecessário, justamente porque o cristianismo foi recriado enquanto filosofia. Você não precisa de Deus pra ser bom, não precisa de religião pra ser um cara decente. Só que não consigo ser cristão – não consegui ser – e acho que é perda de tempo ficar discutindo as coisas que eles discutem. Pra mim é só uma mitologia, é isso. E vejo todas por igual. Umbanda e Jesus, por exemplo, é quase a mesma coisa, só com uma moral diferente – na Umbanda você pode escolher o lado da força, por exemplo.

Enfim, o que você acha que os pastores, tipo o Malafaia, vão achar do livro?
Queria que eles queimassem, uns dois mil de preferência. Mas quero que eles comprem pra poder queimar. [risos]

Fonte: Gospel+ e Vice

Comentário de Avelar Jr.: Essa entrevista não me animou nadinha para gastar meu precioso tempo e alguns suados reais com mais um testemunho de "vítima" de um sistema eclesiástico: isso a gente vê todo dia (ou será possível que você não conhece ninguém que já caiu fora da igreja e não voltou até hoje?)! O que me chama a atenção é que, muitas vezes, o mau testemunho e ignorância dos crentes com relação à palavra de Deus e à vida cristã como discipulado (sobre seguir os passos e entender ensinos de Jesus Cristo) imprime nas pessoas um sentimento de aversão que é sem precedentes, baseado na diferença entre aquilo que é e o que deveria ser, o que se espera que seja. 

Não pude deixar de reparar que ele tem uma imagem de que o ateísmo é uma coisa inteligente, filosófica, fruto de reflexão; enquanto o "cristianismo" que ele via era uma coisa estúpida, irrefletida e teatral. E, pelo que ele cita de distorções e aberrações com que conviveu, dá para ver uma certa razão na perda da fé dele -- um equívoco -- mas uma razão que ele usou para se justificar.

A decepção ou o abandono nesses casos, normalmente, é fruto de expectativas erradas e exageradas, de desvio de foco, de falta de fé, de fraqueza espiritual e de falta de conversão mesmo. No caso do ateísmo, a quase totalidade dos ateus confunde cristandade institucionalizada (igrejas) com os ensinos de Cristo em suas críticas. Assim, para estes, se uma igreja tem pessoas hipócritas é porque o cristianismo não é válido: uma conclusão falha, mas conveniente para se criar uma zona de conforto mental para quem deixou uma igreja ou o evangelho.

O próprio sistema turbulento religioso cria as condições para isto na medida em que é liderado por autoridades religiosas falsas, gente desleal, interesseira, amante do dinheiro, egoísta, sem amor a Deus e ao próximo; e quando é saturado com superstições, doutrinas erradas, crendices absurdas, más-interpretações (ele cita aí as famigeradas "línguas dos anjos", que -- ele está certo -- não passam de uma hipérbole, uma figura de linguagem [de exagero] usada pelo apóstolo Paulo em 1Co 13, da mesma espécie de "entregar o corpo para ser queimado", "fé a ponto de transpor os montes", não sendo, portanto, um ensinamento bíblico) e comportamento maldoso ou ridículo. 

Enfim, quanto a coisas assim, o próprio Senhor nos adverte a sermos vigilantes e perseverantes, a orarmos para não cairmos em tentações e a não nos tornarmos pedra de tropeço para os de dentro e os de fora. E em momento algum Ele nos disse que seria fácil. Vigiemos, então!


[Comentário atualizado às 7h de 05/05/11. Valeu pelo toque, Helen!

domingo, 1 de maio de 2011

Traduções contemporâneas dos 10 mandamentos

Ed René Kivitz

I Não terás outros deuses
Não crerás na existência de outros deuses, senão de Deus.
Não explicarás o universo senão em relação a Deus.
Não terás outro critério de verdade senão Deus.
Não te relacionarás com pseudodivindades, senão com Deus.
Não dependerás de falsos deuses, senão de Deus.
Não terás satisfação em nada que exclua Deus.

II Não farás imagens
Não tratarás como Deus o que não é Deus.
Não compararás Deus com qualquer de suas criaturas.
Não atribuirás poder divino a qualquer das criaturas de Deus.
Não colocarás nenhuma criatura entre ti e o teu Deus.
Não diminuirás Deus para que possas compreendê-lo ou dominá-lo.
Não adorarás qualquer criatura que pretenda representar Deus.

III Não tomarás o nome do teu Deus em vão
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.

IV Lembra-te do sábado
Não deixarás de dedicar tempo exclusivamente para Deus.
Não deixarás de prestar atenção em Deus.
Não deixarás de descansar em Deus.
Não derivarás teu valor da tua produtividade.
Não tratarás a vida como tua conquista.
Não deixarás de reconhecer que em tudo dependes de Deus.

V Honra teu pai e tua mãe
Não negarás tua origem.
Não terás vergonha do teu passado.
Não deixarás de fazer as pazes com tua história.
Não destruirás a família.
Não banalizarás a autoridade dos pais em relação aos filhos.
Não deixarás teu pai e tua mãe sem o melhor dos teus cuidados.

VI Não matarás
Não tirarás a vida de alguém.
Não tirarás ninguém da vida.
Não negarás o perdão
Não farás justiça com tuas mãos movidas pelo ódio.
Não negarás ao outro a oportunidade de existir na tua vida.
Não construirás uma sociedade que mata.

VII Não adulterarás
Não farás sexo.
Não farás sexo na imaginação.
Não farás sexo virtual.
Exceto com teu cônjuge.
Não te deixarás dominar pelos teus instintos físicos.
Não terás um coração leviano e infiel.
Não te satisfarás apenas no sexo, mas te realizarás acima de tudo no amor.

VIII Não furtarás
Não vincularás tua satisfação às tuas posses.
Não te deixarás dominar pelo desejo do que não possuis.
Não usurparás a propriedade e o direito alheios.
Não deixarás de praticar a gratidão.
Não construirás uma imagem às custas do que não podes ter.
Não pensarás só em ti mesmo.

IX Não dirás falso testemunho
Não dirás mentiras.
Não dirás meias verdades.
Não acrescentarás nada à verdade.
Não retirarás nada da verdade.
Não destruirás teu próximo com tuas palavras.
Não dirás ter visto o que não vistes.

X Não cobiçarás
Não viverás em função do que não tens.
Não desprezarás o que tens.
Não te colocarás na condição de injustiçado.
Não desdenharás os méritos alheios.
Não duvidarás da equanimidade das dádivas de Deus.
Não viverás para fazer teu o que é do teu próximo, mas do teu próximo o que é teu.

fonte: Blog do Ed René Kivitz

 
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