sexta-feira, 20 de maio de 2011

Igreja dos EUA atribui culpa de abusos por padres à revolução sexual

Um estudo oficial encomendado pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que acaba de ser publicado, atribui os casos de abuso sexual e de pedofilia dentro da Igreja às mudanças sociais que dizem ter confundido o clero.


De acordo com o estudo, citado pelo diário espanhol El Mundo, o problema não está nem na homossexualidade nem na pedofilia ou em outras coisas singulares. A culpa é mesmo da revolução sexual dos anos 60 e 70 e do efeito que esta teve nos padres que estavam pouco preparados para a situação – o que se traduziu em abusos e violações de crianças em paróquias e colégios católicos norte-americanos.


O documento agora terminado foi encomendado em 2006 e custou mais de 1,2 milhões de euros, suportados na sua maioria pela Conferência Episcopal, por organizações católicas e numa proporção menor pelo Governo.



“O aumento dos casos de abuso entre os anos 60 e 70 foram influenciados por factores da sociedade em geral”, diz o estudo, elaborado pelo Colégio de Justiça Criminal John Jay da Universidade da Cidade de Nova Iorque. “Outros factores que se mantiveram invariáveis ao longo do período de tempo analisado, como o celibato, não são responsáveis pelo aumento ou redução dos casos de abuso nesse espaço de tempo”, acrescenta o documento, que salienta que “o estado de confusão facilitou os abusos”, assim como a reacção da hierarquia eclesiástica que não os soube resolver.



O estudo contraria, assim, algumas das desculpas que foram sendo utilizadas pelo clero, que dizia que a Igreja tinha sido infiltrada por homossexuais e pedófilos. “A conclusão mais significativa desta informação é que não há uma mudança psicológica, de desenvolvimento ou comportamento, que diferencie os padres que abusaram de menores dos que não o fizeram.”



Vítimas indignadas



Conclusões que deixaram indignadas algumas associações que representam as vítimas de abusos que ocorreram no seio da Igreja. “Se há alguém a quem culpar é às dioceses e aos bispos que sabendo dos casos desses depravados os mandavam para outros colégios onde podiam continuar a cometer abusos. Nunca durante esses anos os entregaram à polícia ou aos tribunais. Esse estudo de Colégio de John Jay foi feito com informação autorizada pelos bispos. Não deram aos investigadores autoridade legal para entrevistar os abusadores e por isso chegaram a este tipo de conclusões ridículas. É um relatório pago pelos bispos, com informação dos bispos e que chega às conclusões que querem os bispos”, afirmou ao El Mundo Barbara Blaine, fundadora da Rede de Sobreviventes de Abusos por parte do Clero.



De acordo com um estudo feito pela mesma instituição em 2004, entre 1950 e 2002 foram registadas nos Estados Unidos quase 11 mil denúncias de abusos sexuais contra o clero, sendo consideradas credíveis quase 7000. Só entre 2004 e 2008 a Igreja gastou quase 1500 milhões de euros em acordos extrajudiciais de indemnização às vítimas, serviços psiquiátricos para as vítimas e em litigação.



Novas orientações do Vaticano



A publicação do documento coincide com uma posição avançada esta semana pelo Vaticano, que ordenou aos bispos que levem à Justiça os membros do clero suspeitos de pedofilia e os impeçam de exercer funções que possam representar perigo para os menores.



“O abuso sexual de menores não é apenas um delito no plano canónico. É também um crime que deve ser processado no plano civil”, referiu, numa carta circular, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal William Levada. O cardeal sublinhou a necessidade de “procedimentos claros e coordenados” contra “o abuso sexual de menores” e pediu aos bispos para os completarem. “A obrigação de dar uma resposta adequada aos casos de eventuais abusos sexuais cometidos sobre menores por clérigos na sua diocese está entre as importantes responsabilidades de um bispo diocesano”, sublinhou o cardeal, que deste modo confere aos bispos um papel central na luta contra a pedofilia.



O cardeal lembrou que o Papa Bento XVI promulgou em Maio de 2010 uma instrução sobre o modo de lidar com a pedofilia no seio do clero. Os bispos têm até ao fim de Maio de 2012 para fazerem chegar à Congregação contributos que permitam estabelecer “directivas completas”. A denúncia de casos de pedofilia, principalmente nos Estados Unidos, Austrália, 

Irlanda, Bélgica e Alemanha, mergulhou a Igreja Católica na sua maior crise dos últimos anos.


Por: Público (de Portugal)


Comentário de Avelar Jr.: Piada de mau gosto pronta, não é? Veja bem: estudo que custou € 1.200.000,00 (cerca de 2 milhões e 800 mil reais) "explica" que a culpa da pedofilia e dos abusos sexuais cometidos pelo clero é dos anos 60 e 70 e da confusão sexual que estes trouxeram para as cabecinhas dos religiosos! 

O clero, pobrezinho, nunca soube que perversões e tentações sexuais vêm do coração do homem e que sempre existiram (1 Co 10.13; Mt 7.20-23; Tg 1.14), e que cada um é responsável pelo próprio pecado, devendo vigiar e orar para que não caia nele (Gn 4.7; Tg 1.14) -- dentre o clero, ainda há os que sabiam e se calaram, permitindo que tais coisas continuassem a ocorrer impunemente (Rm 1.32): todos inocentes, "despreparados", pegos de surpresa pela maldade que só existe "no mundo" e "nos outros". 

Evangélicos, nem riam! Pois se isto tivesse ocorrido no nosso lado, iriam dizer que "Foi o diabo!". Porque costumam jogar nele todas as falhas de caráter que não assumem que são suas ou de seus intocáveis e injulgáveis "ungidos". E talvez o estudo custasse até mais dinheiro.

Passagens bíblicas relacionadas ao comentário:


Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. – 1 Coríntios 10:13

Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. – Gênesis 4:7

E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem. – Mateus 7.20-23

Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. – Tiago 1.14

Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. – Romanos 1.32

1 comentários:

Débora Silva Costa disse...

¬¬
Tão fácil e cômodo pôr a culpa nos outros, né? Querer 'desculpar-se' é típico do ser humano mesmo (todos, sem distinção). Começou com Adão, e o mal costume só foi se alastrando e se elaborando. Hoje em dia se gasta milhões só pra não assumir a culpa. E o pior: ninguém engoliu essa!

"Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." Sl 51:16 e 17

Em Cristo,
Débora Silva Costa

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