sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Olhando pra trás. Olhando pra frente.

Olhar pra trás por cima do ombro, sem alterar sua tragetória enquanto pedala, é uma arte que eu já não dominava mais. Imprescindível para quem quer se aventurar no trânsito. Embora deverei sofrer menos assim que instalar um espelho retrovisor do lado esquerdo, conforme a lei (em teoria) obriga todo ciclista a usar.


Esta habilidade em olhar tudo à sua volta enquando pedala, além de proporcionar segurança, faz dos trajetos algo mais divertido e interativo. Ontem mesmo experimentei dois momentos interessantes. O primeiro foi cruzar com outra pessoa usando capacete. E esta pessoa sorriu, como se dissesse algo do tipo “ei! você não é o único alienígena nesta cidade!”. Num segundo momento encontrei uma garota empurrando a magrela na subida mais desgraçada do meu trajeto diário. Ela estava com aquela cara de “comecei a pedalar hoje”. Infelizmente não foi possível parar e conversar. Mas quem sabe numa próxima oportunidade.

Uma vez na TV vi um sociólogo falando sobre a pós-modernidade. Não me lembro seu nome. Mas em sua análise ele dizia que:

“Apenas os artistas e os loucos são contemporâneos de si mesmos. Todas as outras pessoas ou vivem do saudodismo do passado, ou com a ansiedade do futuro.”

Então tenho meditado sobre a necessidade de, olhando por cima do ombro, devo sim contemplar o passado, mas sem jamais me desviar um mísero centímetro de minha tragetória. E pelo caminho proposto, não devo perder a sensibilidade para enxergar as pessoas. A intensidade da vida é sentida no HOJE e, ansiedade pelo futuro nos faz esquecer disto.

O que Deus tem pra hoje, deve ser vivido hoje. O que vivemos no passado trouxe experiência, mas isto não pode ser transformado em bagagem eterna. O que sentimos e sofremos é o que nos trouxe até aqui. Então, tudo deu certo. De uma forma ou de outra.

Em 1 Coríntios 1:18 está escrito que “a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”. E isto faz todo sentido pra mim. Quero viver a loucura do evangelho para, mediante uma espiritualidade viva e vibrante, me tornar um contemporâneo de mim mesmo. E de lambuja animar outros a fazerem o mesmo.

Por Ariovaldo
Publicado em seu blog.

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