domingo, 19 de dezembro de 2010

Comemoremos: não é o Natal!


Vendo um telejornal esses dias, surpreendi-me quando veicularam uma matéria em que uma pesquisa feita com centenas de brasileiros revelou que o estresse aumenta cerca de 75% nas últimas seis semanas do ano, levando muitas pessoas a beberem mais, fumarem mais e consumirem mais medicamentos. Não tinha percebido esse tamanho estresse de fim de ano até ontem, quando saí de casa para fazer compras emergenciais, ao ser empurrado para o outro lado da calçada, gratuitamente, por uma senhora que vinha em sentido contrário.

Fim de ano é um período tenso. Não era para ser assim, mas infelizmente é. A virada do ano vai se aproximando, época de festas, e inúmeras coisas começam a encher nossa cabeça, nossa agenda, nosso dia e esvaziar nossos bolsos.

No início da manhã encaramos os velhos trânsito, transportes lotados, calçadas abarrotadas de gente, barulho, sol ou chuva e poluição até chegarmos ao trabalho, onde corremos contra o relógio para realizar nossas tarefas, na expectativa de fecharmos o balanço anual de maneira positiva e com um sorriso no rosto. Saindo da labuta, nos deparamos com muita gente em pouco espaço, coisas e pessoas para lembrar, programação de recesso natalino e de serviço eclesiástico, contas para pagar, orçamento para se ter em conta (considerando que ano que vem tem material escolar, IPVA e outros impostos...), cansaço antes, durante e pós-recesso, ressaca para alguns... São praticamente dois anos para caber em cerca 30 dias. E o resultado? Muita responsabilidade, correria, estresse, tensão, irritação, ansiedade, depressão, decepção e esgotamento.

Toda essa realidade cotidiana nos distancia muito do real sentido do Natal. A mídia alardeia que teremos um Natal “magro”, “gordo”, “ruim”, “péssimo”... levando em conta apenas os aspectos econômicos do período. O Natal não precisa se parecer com o Corcunda de Notre Dame só por causa da cotação do dólar, das limitações do cartão de crédito, do sobe e desce do consumo e das incertezas do ano que vem.

O Natal de verdade, que é a comemoração da encarnação de Jesus Cristo [João 1.14-18], que veio ao mundo como homem para salvar-nos dos nossos pecados [Mateus 1.21-23; Lucas 1.30-35], não está atrelado a variações temporais. Obviamente esta realidade deveria ser lembrada e festejada diariamente [Lucas 2.10-11], mas, por diversos motivos que não abordarei, é enfatizada apenas no fim do ano, e de maneira bastante distorcida, por muita gente – tanto pelas que o comemoram quanto pelas que não o comemoram.

Regozijemo-nos, pois Jesus veio ao mundo!

Já que nestes dias estamos relembrando e enfatizando este evento aguardado pelo povo de Israel, que estendeu a esperança a todos os povos que jaziam nas trevas [Lucas 1.67-79; Mateus 4.14-16]: um marco na história festejado por anjos, por simples pastores e por reis; um real motivo de grande alegria para todos nós, de todas as épocas; tenhamos isto bem presente em nossas mentes – “Deus conosco!” – e o ano todo!

Quando olhar para a neve de mentira caindo sobre tudo, escutar reiteradas vezes aquelas musiquinhas batidas de brinquedos do Paraguai com as pilhas quase acabando, quando o salto quebrar, o pisca-pisca não prestar mais, vir a “hipocrisia natalina” generalizada, quando levar uma chuva danada e ainda por cima for obrigado a ouvir a enjoada música de Natal de Simone... ou se o ônibus estiver tão cheio que, se alguém pular, ficará suspenso até a próxima parada ou até chegar em casa... ou se uma velhinha, que você nunca viu antes, de repente lhe oferecer um empurrão na calçada molhada... não deixe que isso estrague tudo! Lembre-se: Não é o Natal – se bem que alguns até que tentaram! Mas alegre-se como se fosse! Porque Jesus veio e continua sempre conosco. Quer motivo melhor para aguentar tudo isso?

Por Avelar Jr. 
Também publicado no Não, Obrigado!

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