terça-feira, 30 de novembro de 2010

Carta para um blogueiro imaginario


Por Daniel Clós Cesar

Ao ver o que está acontecendo com a blogosfera pretensamente "cristã e apologética", percebo que ela tá virando "gospel"... no pior sentido. Tipo o cantorzinho famoso que troca a MK pela $ony Mu$ic.

Desde que comecei meu blog recebo alguns e-mails, principalmente solicitando desenhos. Gente que não me acha muito competente para escrever, mas acha que desenho... sinceramente, não penso de mim nem uma coisa nem outra. Conheço alguns dos melhores ilustradores do sul do país... eles sim sabem desenhar... eu rabisco. Também leio blogs de verdadeiros teólogos... que não são grandes escritores... mas tem conhecimento para ensinar e admoestar.

Eu sou leigo. Não sou formado em nenhum seminário reformado, pelo contrário, minha formação acadêmica é deveras humanista. Formei-me em História pela Federal do RS. Paguei meus livros e bandejão no restaurante universitário com desenhos e layouts para sites... mas não vivo mais disso. Meu blog não é um comércio. Não comercializo meus textos. E já escrevi sobre isso inclusive (ler aqui). Não é uma idéia que surgiu hoje.

Eu não vivo disso. Não preciso escrever para colocar o feijão na mesa. Não preciso desenhar para por gasolina no carro. Não vivo do mercado de entretenimento gospel. Graças a Deus. Se ainda esporadicamente faço esse tipo de serviço, é apenas para não perder a prática... e somente os faço para amigos de longa data ou missionários, e sem custo algum. Não é algo que penso servir para todo mundo. É uma opção pessoal e intransferível.

Mas minha história na internet cristã é recente. Um ano atrás enviei um texto para o Ruy Marinho do blogBereianos... era sobre festas à fantasia, piercing, tatuagens e coisas do gênero... para minha surpresa ele publicou o texto... e mais tarde enviei outros, alguns publicados outros não. Mais tarde criei meu próprio blog, mas ainda enviava os textos para o Ruy... o fato dele não ter publicado alguns textos, onde mais tarde percebi erros doutrinários ou fuga do evangelho reformado, me fizeram ter muito respeito por ele e pelo seu blog, que continuamente leio. Vejo ali um repositório de qualidade, como poucos na internet cristã nacional.

Sem saber bem como as coisas funcionavam... achando que tratava apenas com cristãos, há três meses atrás quando criei outro blog, resolvi mandar uns textos e desenhos para vários autores de blogs... na perspectiva humana deu certo. Meu antigo blog devia ter 50 visitas por mês, o atual... em dois meses passou de 4000... meus desenhos e textos podiam ser lidos em vários blogs e todos direcionavam para meu...

Que maravilha... deu certo!

Ou não...

4000 em dois meses é pouco para os "gigantes" da web-gospel. Para aqueles que precisam de calculadora para contar seus adoradores. Pouco para os que criticam a Teologia da Prosperidade vivida pelos outros e vivem tão intensamente seus conceitos. Muitas vezes escondidos atrás de um blog pretensamente apologético, pretensamente cristão.

Não publico no Púlpito Cristão porque o Leonardo me prometeu alguma grana ou mais audiência no meu blog pessoal. Mas porque me propôs a oportunidade de publicar em um blog que não trata de teologia liberal e tem por objetivo a defesa do Evangelho. Se amanhã eu ler no Púlpito um texto promocional do novo CD da Aline Barros ou sobre a "maravilhosa" obra de Charles Finney... só a amizade continua. Mas o uso comum do púlpito não. Sou intolerante ao ecumenismo e absurdamente contrário a qualquer espécie estranha ao cristianismo.

Obviamente não tenho nenhuma ingerência neste blog. Envio meus textos e seu moderador e proprietário decide se os publica ou não. Isso pode ser ruim para outros... para mim está de bom tamanho.

Aí recebi uma oferta irrecusável. Mas para mim, recusável.

Esperava algo como: Este é um blog apologético. Evangelho reformado. Uma grande oportunidade para publicar teus textos. E não: Este é o blog mais visto. O mais lido. O "mais melhor de bom"... Tu sabe quanto tu pode ganhar com um blog?

Foi um tiro no pé. Ou na cabeça... não sei. Na minha cabeça e no meu pé... é claro.

Se você quer ganhar um taliban você não promete para ele um Ford 0Km e um apartamento na Times Square... você promete as 70 virgens no paraíso islâmico e uma cópia do Alcorão com os cumprimentos do Bin Laden. Faz mais sentido e é mais eficiente.

Meu passe não está a venda. Não preciso nem quero entrar em disputinhas ridículas e demoníacas que contam número de visitantes. Não quero meu e-mail em lista comprada para envio de comércio virtual. Não quero meu nome vinculado a algo que só serve para escárnio e julga-se algo cristão. Não quero estar ligado à teologia liberal e a movimentos new age pseudo-gospel. Não preciso disso. Nunca precisei.

Não entendo muito de propaganda... não entendo da alma do negócio e posso até não parecer muito inteligente. Mas antes de tudo... antes de escrever em um blog, antes de desenhar para algum blog... sirvo a Deus. Meu preço é impagável. Sou um "taliban gospel" e a verdade que vivo é inegociável.

Esses números servem apenas para uma coisa. Mostrar a seus mantenedores quantos são os seus prováveis clientes. É apenas comércio em nome de Deus. Igualzinho. Idêntico àquilo práticado pelos tão criticados Silas Malafaia, Marco Feliciano ou Terra Nova... que parecem até café pequeno, quando se analisa bem a proposta por trás de tudo.

Foi por este motivo que eu te disse meu velho: Não. Obrigado!

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