sábado, 14 de agosto de 2010

Vamos pensar um pouco - A absurda decisão de não amar o cônjuge


A decisão de amar é acompanhada pelo risco de não amar. Nem o compromisso público do casamento extingue tal risco. Amamos quando nos dispomos a dedicar tempo, serviço e coração ao outro. Decidimos não amar quando nosso cônjuge deixa de ser o real objeto do nosso amor e se torna, em nossa fantasia, qualquer outra pessoa -- exceto ele mesmo.

Desvios sexuais, como a pornografia e o adultério, são, na prática, nossa absurda decisão de não amar o cônjuge. Na pornografia, idealizamos um corpo perfeito e não conseguimos dedicar tempo, serviço e coração para amar o corpo imperfeito do nosso cônjuge. Cada ato pornográfico é, no fundo, a decisão de não amar quem um dia decidimos amar. E quanto mais constante e repetitiva essa prática se torna, mais nos afastamos do nosso (verdadeiro) cônjuge. Se não houver cura, chegará o dia em que decidiremos amar definitivamente a fantasia da perfeição sem amor a despeito da realidade da imperfeição com amor.

Já no adultério, falsificamos a nós mesmos e duplicamos nosso cônjuge. Decidimos amar duas ou mais pessoas, não amando, na verdade, nenhuma. Já não há mais foco e dedicação ao amor. Não há uma pessoa inteira ao nosso lado, com sua história, sentimentos, defeitos e qualidades únicas. Há apenas opções de prazer. E já não somos nós mesmos, apenas consumidores de bem-estar. Cometer adultério também faz parte da absurda decisão de não amar o cônjuge. Quanto mais o praticamos, mais reduzimos a quase nada quem um dia decidimos amar.

Amar é uma ordem. Quando Jesus deu essa ordem aos discípulos (Jo 15.12), ele estava estabelecendo um alto padrão de relacionamento para toda a humanidade. Esse padrão é ainda mais relevante no relacionamento conjugal, que tem um grau de intimidade e compromisso muito mais elevado. No entanto, antes de ordenar que os discípulos amassem uns aos outros, Jesus disse que eles deveriam “permanecer no amor dele” (Jo 15.9). Permanecer é decidir diariamente continuar amando, e isso torna a vida maravilhosamente mais bela. À luz desse padrão, decidir não amar é verdadeiramente um absurdo.

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Lissânder Dias do Amaral é coordenador executivo da Rede Mãos Dadas.
Fonte: Ultimato

1 comentários:

AMANDA disse...

Esse texto é simplesmente fantástico. É perfeito. Enxergar o amor assim é que habilita ou desabilita alguém para o matrimônio. É essa decisão que causa o sucesso ou insucesso dos casamentos. Mas é importante que o casal, e não apenas 1 dos conjugês, pense desse modo. Esteja disposto a amar o outro, compreendê-lo, apoiá-lo, aceitá-lo, agradá-lo. O segredo do amor é tão simples. Trata-se de procurar no outro o melhor que ele tem a oferecer, e dar menos atenção aos seus defeitos. Trata-se de não ser EGOISTA. Pensar no outro. No que o outro deseja. Pensar em fazer o outro feliz. Quem não aprende isso, nunca terá um casamento feliz. Porque é sobre bases assim que o matrimônio se sustenta. O que se desvia disso, é fuga, é postergação de uma desgraça: mais um casamento a ser desfeito. É lamentável que para tantos, a felicidade só exista quando tudo é ao seu modo. A vida não é a dois, é a um. Se cada um de nós se dedicasse a descobrir no seu cônjuge, todos os dias, um motivo para amá-lo, não faltariam razões para fazê-lo, e até seus defeitos justificaram nosso amor. Pois não é muito mais importante amar as pessoas quando menos o merecem? Sim. É como o amor que somente os pais, e os familiares sentem. E um casal, tbm é parente um do outro. É um laço familiar firmado no altar.
Por tudo isso, rejeito a paixão e elevo o amor em meus pensamentos. Que coisa linda e maravilhosa é o amor. É realmente uma pena quando decidimos não senti-lo. A infelicidade é maior para quem decide não amar, do que para quem deixa de ser amado. É matar um pouco de Deus dentro de nós. É deixar um pouco de crer nÊ-le e no seu poder restaurador.

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