quinta-feira, 29 de abril de 2010

O desânimo de Deus



Destruí algumas de suas cidades, [...] e mesmo assim vocês não se voltaram para mim (Am 4.11)

É um rosário interminável de “mesmo assim vocês não se voltaram para mim”. Para retirar Israel do mau caminho e deixá-lo a salvo da culpa e do sofrimento, Deus tomou muitas providências. Deu-lhes estômagos vazios e falta de alimento, reteve a chuva na hora mais imprópria (“quando ainda faltavam três meses para a colheita”), castigou com pragas e ferrugens os seus jardins e as suas vinhas, matou os seus jovens à espada e destruiu algumas de suas cidades a fogo. Todavia, foi tudo inútil. Depois de cada provação, Deus se viu obrigado a admitir o teimoso insucesso: “Mesmo assim vocês não se voltaram para mim” (Am 4.6, 8-11).

Quem disse que Deus não fica desanimado? Ele estava desanimado frente à obstinação de Israel, na época do profeta Amós. Ele estava desanimado quando se perguntou na época do profeta Isaías: “Que mais se poderia fazer por ela [a vinha de Israel] que eu não tenha feito?” (Is 5.4). Quando Deus desanima, o perdedor não é Ele, mas o seu povo!

Não vou provocar a paciência de Deus. Não serei insensato para chegar a esse ponto!

Retirado de Refeições Diárias com os Profetas Menores (Editora Ultimato, 2004).

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