segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A diferença entre Jesus e os cristãos




Dia desses resolvi ler um trecho do evangelho de Lucas, lá pelo capítulo onze; cheguei até a parte em que Jesus foi convidado para um jantar na casa de um fariseu, onde tinha muita comida boa e também, muita frescura. O fariseu sentiu-se escandalizado só por que Jesus não lavou as mãos antes de comer, ah, e não é que o fariseu estivesse com nojinho por achar anti-higiênico comer sem se lavar, mas sim por motivos cerimoniais. Jesus como não gostava dessa hipocrisia religiosa – na verdade ele não gostava de hipocrisia –, foi logo “descendo sarrafo” e disse que assim como limpavam o exterior deviam limpar o interior, que estava cheio de ávida ganância e perversidade. É claro que os religiosos não gostaram nada do que Ele disse, e foram logo se defendendo, o que não adiantou muito, e mais uma vez ficaram sem saber o que dizer, e como de costume começaram a planejar uma forma de confundi-lo através das palavras. Será que não percebiam que Jesus além de conhecer a intenção de seus corações, tinha as repostas para qualquer coisa que dissesse respeito à vida humana e ao reino de Deus?

Jesus nunca se deixou enganar pela hipocrisia dos religiosos de seu tempo; a máscara de santidade poderia até convencer aos outros e até a si próprios, mas nunca a Jesus, e não precisava ser Deus para se ter essa percepção, bastava observar as obras dos tais “santos” de Deus. (Mt 12:1-7; Lc 11:42)

Toda hipocrisia, mentira, falsidade enche o saco, mas a hipocrisia religiosa, mais especificadamente a cristã, é terrível, pois se finge em nome de Deus. Cristo odiou a hipocrisia dos fariseus e odeia a hipocrisia cristã, que valoriza a aparência mais do que o indivíduo, os dogmas mais do que a misericórdia e o MEU mais do que o NOSSO.

Muitos cristãos acham que fama, sucesso e dinheiro, é o que Cristo deseja para todos os seus seguidores. “Não nascemos para ser cauda e sim cabeça”, dizem, e baseados nisso, vivem em busca de prosperidade e reconhecimento. Quanto maior você é, mais será bajulado, admirado, invejado. Status, dinheiro... em algumas igrejas quem manda é quem dá o dízimo maior, quem é mais conhecido ou possui alguma influência. Pra que viver no anonimato se você pode ser um pastor famoso ou um artista gospel conhecido? Pode até ter sua música na novela das oito se tiver fé, claro que é tudo para glória do Senhor, pois esse é o seu propósito, tornar seus amados filhos melhores que os filhos do Diabo. Ledo engano. Enquanto esteve aqui na terra, Jesus nunca procurou holofotes, jamais quis aparecer ou ter qualquer reconhecimento, seu prazer era viver para glória do Pai. Jesus gostava de estar entre pessoas que não eram desejadas pela sociedade de seu tempo e certa feita, agradeceu ao Pai por ocultar aos sábios e instruídos o que foi revelado aos pequeninos (Lc 10:21), imagino que seja por que uns são arrogantes, pois só consideram como verdade, a verdade de seus próprios corações, e outros, humildes o suficiente para aceitar depender unicamente daquele que se declarou como sendo a única verdade.

Diferente de alguns cristãos, Jesus não tinha como objetivo “esfregar” sua verdade na cara de alguém, não estava interessado em provar a torto e a direito que era Deus e não andava por ai com partido político-religioso tentando dominar a capital do império romano para instaurar o culto à sua pessoa, ao contrário, Ele disse que quem quisesse segui-lo deveria viver Dele (Mc 8: 34-35). Também, não ameaçava com inferno aqueles que não o aceitassem como Salvador. Não consigo imaginar Jesus olhando torto para um homossexual, um negro, uma mulher, um deficiente, gente que constantemente sofre preconceitos. Tenho quase certeza que Ele desejaria se achegar a estas pessoas e conversar sobre os mais variados assuntos, pois Jesus gostava de estar com todo tipo de pessoa, definitivamente a intolerância não era característica sua.

A recomendação de Jesus é que seus seguidores sejam sal e luz da terra, ou seja, devem influenciar as pessoas ao redor com a sua fé, demonstrando amor ao irmão da sua própria igreja, ao vizinho, ao colega de trabalho, ou a qualquer outro ser humano, mesmo que este não compartilhe a mesma crença. Todo aquele que está em Cristo ama independente do que o outro É. Jesus é assim, ama e está pronto a receber a qualquer um; aceita cada ser humano, independente da cor, do sexo, da condição social, e deseja que cada um dos seus seguidores sinta, veja e que sobre tudo, AME como Ele.



Como é difícil lembrar que o reino de Deus me chama para amar a mulher que acabou de sair da clínica de abortos (e, sim, até seu médico), a pessoa promíscua que está morrendo de AIDS, o rico proprietário de terras que está explorando a criação de Deus. Se não consigo demonstrar amor a tais pessoas, então devo questionar se realmente entendi o evangelho de Jesus.

Philip Yancey


Por:  Helen Araujo


1 comentários:

UltraJohnnÿ disse...

Lindo texto, vlw

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