segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Era uma Igreja muito engraçada ...



...não tinha teto, não tinha nada.

Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo...

Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Paulo dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Tiago dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.

Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.

Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.

Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. Mas ele me disse que a igreja normalmente se reunia esporadicamente, pelo menos uma vez por semana em que a maioria podia estar presente. Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.

Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.

Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.

Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada... aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”.

Por: Tonho [foi coordenador do UG -Min. Jovem do Portas Abertas]


4 comentários:

Levi Bronzeado disse...

Poderes materiais, uns em relação aos outros, poderes de sedução ou de intimidação, poderes psíquicos, intrigas e cálculos escusos são as preocupaçóes da igreja de hoje, que se diz adulta.

Bendita a igreja (infantil) dos meus verdes anos, que não tinha teto, não tinha títulos, mas tinha amor, ternura e palavra.

Um grande abraço,

Levi B. Santos

Ana Paula disse...

Esta é a Igreja dos sonhos de todos nós!!!

Sérgio Aparecido Dias disse...

Tudo bem, que seja a igreja do sonho de quem queira, mas...deixemos de lado o barrilzinho de vinho, senão a coisa desgringola de vez! E tem mais: se alguém pensa que lá no céu não haverá uma certa ordem na adoração, está enganado, basta ler o Apocalipse e os profetas! Haverá comunhão, mas comunhão ordeira e com normas. Não de acordo com o que se entende hoje por "ordem", mas de acordo com a ordem estabelecida por Deus. No Reino de Deus não estaremos em "férias perpétuas", cada qual fazendo o que bem entende, de forma alguma! Haverá diversidade de funções e de realizações na Nova Sociedade. Ninguém ficará deitado à sombra das palmeiras e tocando harpa sem parar, ou cantando eternamente. A Bíblia nos fala do estabelecimento de um sistema social perfeito, com regras, normas, lideranças e liderados. Ou seja, não terei as mesmas funções e regalias de Abraão, Isaque e Jacó. Seremos todos salvos, mas algumas pessoas serão contempladas com galardões e prêmios diferenciados, exercendo funções também diferenciadas. Como acontece com os anjos, que são divididos por uma escala de valores e funções. Nem fazemos idéia de como será o governo futuro e eterno de Deus. Mas certamente não será um "doce fazer nada", sem disciplina e sem liderança, que muita gente está esperando!

Débora Silva Costa disse...

João Paulo, sobre este mesmo tema, veja essa postagem: http://revmauricio.blogspot.com/2010/06/era-uma-igreja-muito-engracada.html
Espero que goste!
Abraço!

Em Cristo,
Débora Silva Costa
http://ferazao-bang.blogspot.com/

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