sábado, 10 de outubro de 2009

Aprumando o peito de um cabra da peste



O que nos motiva a agir de certa forma e não de outra diante do certo e do errado? Seria nossa educação acadêmica, nossa consciência, ou nossas emoções?

Em Romanos 2.14, 15, o apóstolo Paulo escreve: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, estes mostram a norma da lei gravada no seu coração”.

Em outras palavras, o selo do criador, que nos identifica como seres humanos, que define nossa humanidade, foi gravado em nossos corações.

Alguns argumentam que essa capacidade de discernimento moral é um produto do processo de evolução do ser humano. Porém, se a base é o instinto natural, qual instinto deveríamos obedecer? Nossos instintos estão em guerra. A decisão de agir corretamente não pode ser baseada em outro instinto -- é a lei natural ou moral escrita em nossos corações.

Qualquer civilização ou cultura que rejeita a realidade e a importância dessa lei moral torna-se insustentável e caminha para a autodestruição. A cultura moderna não é uma exceção. Continuamos a clamar por qualidades impossíveis, e esse é o caráter tragicômico da nossa cultura e condição. Estamos produzindo homens sem coração, sem estrutura moral, e esperamos deles virtudes e ações corretas. Ridicularizamos a decência e o pudor e nos chocamos ao encontrar os corruptos e pedófilos em nosso meio.

À medida que essas distorções e heresias morais penetram em nossa vida, o resultado é a conivência com o subjetivismo, o relativismo, o materialismo, o sensualismo exagerado etc. Precisamos lutar contra as distorções sutis das virtudes e características da nossa cultura, como por exemplo, a tendência do jeitinho e da flexibilidade brasileira se transformarem em corrupção; a disposição da criatividade se converter em heresia; da alegria e do calor humano se tornarem promiscuidade.

Este subjetivismo atua até nos eufemismos da língua, atenuando o caráter imoral de certos comportamentos. Por exemplo, a promiscuidade sexual é hoje chamada de “ficar”, infidelidade sexual de “pular a cerca”, e qualquer outra forma de pecado de “pisar na bola”.

Santo Agostinho define a virtude como a disposição ordenada das afeições, na qual cada objeto corresponde ao grau de amor que lhe é apropriado. Em Provérbios 22.6 lemos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Uma explicação adicional poderia ser incluída: “Quando a idade da razão por fim lhe chegar, então, com a educação que recebeu, ele abrirá seus braços para dar as boas-vindas aos ensinamentos obtidos e os reconhecerá por causa da afinidade que tem por eles”.

Uma reação exagerada da igreja é se isolar por meio de modelos de um puritanismo do passado e de culturas diferentes quando, na realidade, o que necessitamos é o desenvolvimento de uma estratégia que se aplique ao contexto da cultura brasileira. Precisamos de um movimento sólido de purificação autêntica nas igrejas nos moldes da nossa própria cultura.

Nossa cultura é aqui representada por conveniência pelo “cabra da peste” -- o homem corajoso (ou mulher destemida), de muitas virtudes, de coração bom, mas meio bruto, consciente de algumas de suas obrigações, mas com uma visão distorcida pela luta pela sobrevivência; homem de fé invejável, mas confusa pela idolatria e religiosidade popular. Essa figura representa o brasileiro típico, lutador -- não o jagunço ou o marginal violento, e também não o sofisticado, de coração duro, “miolo mole”, que rejeita a lei natural/moral e a graça de Deus.

Com aprumar o peito desse indivíduo e lutar contra essa condição trágica? A resposta vem da ênfase nos princípios universais de comportamento humano, tais como o respeito à vida humana, a lealdade às obrigações da família, a prática da justiça, da misericórdia e da veracidade.

Ao enfatizarmos e promovermos a objetividade e a necessidade da prática desses princípios escritos no coração do homem como um pré-requisito para mantermos a sustentabilidade da sociedade e nossa humanidade, e proclamarmos a salvação na pessoa do Senhor Jesus e a necessidade da santidade e obediência à lei revelada, estaremos participando como agentes de restauração e redenção, aprumando o peito de um cabra da peste até que chegue a plenitude dos tempos.


Paulo Ribeiro é engenheiro elétrico e sua esposa,  Adriana, é médica. Ambos são professores no Calvin College, no estado americano de Michigan.
 






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