terça-feira, 15 de setembro de 2009

Noites de luta e reggae enchem igrejas evangélicas no Brasil

A atmosfera estava elétrica na igreja Renascer em Cristo na noite de "Extreme Fight". Seguidores da igreja vestiam jeans e tênis, muitos com bonés virados para trás, e se alinhavam num ringue de boxe temporário para aplaudir lutadores de jiu-jitsu de peitos desnudos.

Eles gritavam quando o favorito dos fãs, Fabio Buca, resistiu ao seu oponente após vários minutos. Eles ficaram frenéticos quando o Pastor Dogão Meira, de 26 anos, abateu o seu opositor, segurando ele com uma chave de braço por apenas 10 segundos de luta.
Depois da luta do "Extreme Fight", lutadores e público fazem oração em igreja de São Paulo

Com a multidão ainda vibrando, o pastor Mazola Maffei, vestido em calças militares e camiseta, pegou o microfone. Maffei, que também é o treinador de luta de Meira, então deixou a multidão absorta com um sermão sobre a ligação entre esportes e espiritualidade. "Vocês precisam praticar mais o esporte da espiritualidade", ele recomendou. "Vocês precisam lutar pelas suas vidas, pelos seus sonhos e ideais".

A Renascer em Cristo está entre o crescente número de igrejas evangélicas no Brasil que estão encontrando maneiras de se conectar com pessoas mais jovens para aumentar suas fileiras. De noite de luta à música reggae, de videogames a tatuadores no local, as igrejas ajudaram a fazer o movimento evangélico o movimento espiritual que cresce mais rápido no Brasil.

Igrejas evangélicas estão atraindo brasileiros para longe do catolicismo romano, a religião dominante no Brasil. Em 1950, 94% dos brasileiros disseram ser católicos, mas o número caiu para 74% em 2000. Enquanto isso, a percentagem daqueles que dizem ser evangélicos se multiplicou por cinco neste período, atingindo 15% em 2000. Um novo censo do governo deve sair no ano que vem.

Apesar da grande conexão do Brasil com o catolicismo, mais e mais brasileiros querem experimentar e escolher sua própria religião, diz Silvia Fernandes, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que escreveu um livro sobre o movimento evangélico no Brasil.

Ela disse que mais brasileiros foram atraídos para as igrejas evangélicas ou o pentecostalismo, para uma "flexibilidade na expressão religiosa". Eles vêem igrejas como a Renascer como lugares onde eles podem se expressar mais livremente e "não apenas procurar soluções para problemas pessoais, mas também encontrar um lugar para conhecer pessoas e socializar".

Meira disse que para jovens que procuram salvação, o evangelismo pode preencher uma lacuna. "Aqui eles entram na igreja, às vezes para ver uma competição de luta, recebem a palavra de Jesus Cristo, e começam uma transformação. Eles vão deixar as drogas, começar a respeitar sua família e começar a curar doenças da alma, como ansiedade, depressão, drogas, álcool e prostituição", disse.

No meio do movimento jovem, a Renascer em Cristo sofreu sua parcela de controvérsia. Os líderes da igreja, Estevam e Sonia Hernandes, voltaram ao Brasil no mês passado depois de passar vários meses em uma prisão americana por tentar entrar clandestinamente com mais de US$ 56.000 nos Estados Unidos, incluindo US$ 9.000 escondidos numa Bíblia. Eles ainda enfrentam acusações de fraude, apropriação indébita, evasão de impostos e lavagem de dinheiro no Brasil.

A Renascer tenta encontrar pastores mais jovens, que podem se relacionar melhor com adolescentes. Meira é um pastor de meio período; ele também trabalha, durante o dia, em marketing para uma empresa familiar de tintas e estuda propaganda à noite.

Na noite do Extreme Fight, dezenas de jovens pairavam em volta da igreja. Na sala da frente, barracas vendiam cachorro-quente e pizza e jovens se alinhavam em um canto para fazer tatuagens com temas religiosos, como "Eu pertenço a Jesus". Na sala principal, havia videogames, um DJ tocando uma mistura de hip-hop e funk, e uma tela de projeção mostrando um DVD do Harlem Globetrotters.

Apesar de a maioria ter vindo para o evento principal, o Extreme Fight, eles deixam-se ficar. Depois de quatro lutas e do sermão de Maffei, os membros formaram pares. Um colocou sua mão na testa do outro e falou de Jesus Cristo, o outro fechou bem os olhos.

O crescimento do movimento evangélico jovem visa brasileiros de todas as classes. Na igreja Bola de Neve, jovens profissionais se misturam a outros de famílias de renda mais baixa e problemáticos.

Pastores lideram um rebanho de mais de 2.500 membros nas noites de domingo estimulados por músicas de reggae e rock, com letras religiosas projetadas em uma enorme tela.

O "apóstolo" da igreja, Rinaldo Pereira, disse que teve uma experiência próxima à morte relacionada a drogas e hepatite 17 anos atrás, antes de um evento "sobrenatural" o levar a dedicar a sua vida a Deus.

Em 1999, Pereira e outros poucos surfistas ávidos fundaram a Bola de Neve, inspirados pela ideia de que uma bola de neve começa pequena mas pode crescer e ficar grande. A igreja recebeu seu impulso inicial de um empresário de roupas de surf, que emprestou um auditório para a igreja. Precisando de um altar para sua primeira cerimônia, Pereira pegou uma prancha de surf que viu no corredor e a colocou em algumas cadeiras.

Hoje a igreja diz ter cem unidades, a maioria no Brasil. Uma delas, na Barra da Tijuca, área do Rio de Janeiro perto da praia, começou três anos atrás, com sete pessoas, e agora tem cerca de 3.000 integrantes.

Esportes e música "superam todos os tipos de limites", disse Pereira em uma entrevista.

"As pessoas podem não entrar numa igreja, mas definitivamente vão assistir a uma luta, a um campeonato de surf, a um evento musical", ele disse. "Tanto o esporte quanto a música transmitem uma mensagem para o público".

Em São Paulo, a igreja é verdadeiramente um assunto familiar. Num domingo, Pereira, de 37 anos, fez um sermão que durou três horas, ainda usando uma prancha de surf de cabeça para baixo como seu púlpito. A mulher dele, Denise, que também é pastora, aqueceu a multidão, cantando com força letras com uma banda de rock às suas costas.

No porão da igreja, o filho deles de 16 anos de idade, Nathan, liderou uma multidão de adolescentes e jovens. O pastor "em treinamento", de cabelo espetado, fez um sermão sobre Jesus Cristo com habilidade de talk-show. Em determinado momento, ele segurou um recipiente de plástico branco e estimulou os jovens seguidores a fazer doações, assegurando a eles que Deus "daria de volta em dobro" o que quer que eles oferecessem.

Escadas acima, onde seu pai fazia um sermão, um homem e uma mulher jovens tomam o palco e declaram seu amor. Pereira parabeniza pelo menos dois jovens casais por seus novos bebês, segurando-os para o alto para todos verem.

À medida que seu sermão atinge o clímax, os membros fecham seus olhos firmemente e seguram os braços, como num transe, cantando e se balançando com a música enquanto lágrimas escorrem em seus rostos.

Depois da cerimônia, Dom Luiz Bayeux, de 22 anos, contou como chegou ali. Ele cresceu num lar problemático, onde seu padrasto, um viciado em crack, morreu de Aids. Aos 13 anos, um rebelde Dom começou a sua vida no crime. Cinco anos depois, sua busca para escapar do vício o levou a muitos lugares e a várias religiões.

Depois de fracassar em um exame para entrar para as Forças Armadas, ele se lembrou de ter ouvido falar sobre a Bola de Neve. No dia em que ele chegou, o pastor disse aos membros: "Vocês estão aqui para entrar para o Exército de Jesus Cristo".

Para ele, era uma intervenção divina. "O fato de que aqui as pessoas falam a mesma língua e vivem no mesmo estilo de vida que eu foi o que realmente me atraiu a este lugar, e o que me ajudou a me manter aqui", ele disse.

Fonte: The New York Times
Tradução e colaboração: Tradução: Marcelle Ribeiro e Mery Galanternick


9 comentários:

Melquesedeque disse...

Esse é um exemplo claro de Mateus 7:21.
Atualmente, os escândalos expostos pela mídia revelam que existem muitas "igrejas evangélicas" que fazem tudo, exceto cumprir o mandamento de Jesus, o ide e pregai.
É incrível como os prazeres, riquezas, modismos, etc., cegam as pessoas, a ponto de tentarem unir trevas e luz dentro da própria "casa de Deus".
Não tenho vergonha de servir a Cristo, mas tenho vergonha do significado que está sendo dado ao adjetivo 'evangélico'.

JOELSON GOMES disse...

Olá, a paz de Cristo, agora tenho um banner no GRAÇA PLENA, se o irmão quiser pode pegar o mesmo e colocar no seu blog como imagem no gadget, e no link o url do meu blog. O seu já está no meu e se tiver banner me mande por favor.

Joelson Gomes

João Paulo Fernandes disse...

Na hora Joelson, vou colocar agora. Abraço

Avelar Jr. disse...

Isso não é igreja, é circo, casa de shows e espetáculos, etc.

Igreja é o corpo de Cristo.

pcollar disse...

Jesus mostra-nos o caminho da salvação e este tipo de "seita" distorce totalmente a fé. Paulo, dizia-se imitador de Cristo e nos recomendou que seguissemos este exemplo. O que estão fazendo é escândalo para Deus. Temos de orar por estas pessoas e pedir que Deus mostre o verdadeiro caminho a elas. Ai daqueles por quem vier o escândalo, diz a palavra de Deus.

Anônimo disse...

Não acho q seja um vexame, e acho q o preconceito páira no ar dessa postagem. Já participei de eventos nas duas igrejas citadas e o q vi não me escandalizou, pelo contrário, me deixou nítido q muitas igrejas estão deixando de ganhar jovens porque possuem a mentalidade arcaica. Façam um levantamento de quantos jovens vão pro inferno a cada minuto, enquanto postagens como essa são feitas na internet. Achei controverso o fato de ser citado q essas igrejas estão ESKECENDO O IDE. acho q o proprio texto mostra exatamente o contrário.

João Paulo Fernandes disse...

"Façam um levantamento de quantos jovens vão pro inferno a cada minuto, enquanto postagens como essa são feitas na internet. "

Como é que faz esse levantamento?Fiquei curioso para saber.

Izaias disse...

O cara que não vê mal nenhum em como as coisas são feitas, mesmo que seja para a "obra de Deus", sempre é aquele que não se importa se a coisa É certa, desde que DÊ certo.
Certo para a igreja dele, claro, com o aumento de número de membros e consequentemente aumento de ofertas, dízimos...
A papagaiada de sempre, né?

Anônimo disse...

Curioso sobre o levantamento?

Se informe sobre quantos jovens morrem sem aceitar Jesus como salvador. quantos suicidios e mortes por overdose acontecem pelo mundo todos os dias.

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