sexta-feira, 10 de julho de 2009

Crianças pastores? Que loucura é essa?



Criança tem o direito de ser tratada como criança. Ela deve receber amor, afetividade, carinho, respeito, limites e educação. Criança tem o direito de brincar de pique, correr, saltar, pular, rir e celebrar a vida. Todavia, movidos por uma espiritualidade dualista e esquizofrênica, inúmeras igrejas deste país as tem tratado como adultas. Em tais comunidades, elas se vestem como adultos, falam como adultos, dizem a “paz do Senhor”, usando com maestria o “evangeliquês”, além é claro de desenvolverem um comportamento absolutamente artificial.

Minha esposa além de psicopedagoga é contadora de histórias, e há pouco ela recebeu um convite para ir a uma igreja cuja programação teria como atração uma criança de 12 anos que seria a pregadora da noite. Há alguns meses um amigo me trouxe um DVD cujo título era: “Cativeiro nunca mais.” Até aí tudo bem, o problema é que a protagonista da mensagem era uma criança. Isso mesmo, um menino com tiques e trejeitos evangélicos que desesperadamente gritava invocando sobre os seus ouvintes as bênçãos de Deus. (1) Em 2007 o jornal O Globo publicou a matéria “Pequenos Missionários”. A reportagem tratava exclusivamente de meninos e meninas que nos últimos anos vem atuando como líderes e pastores de igrejas evangélicas no país. Se não bastasse isso, a matéria é enfática em afirmar que tais crianças atendem os desesperados e prometem cura aqueles que os procuram.

Meu amigo, não dá para engolir essa história de crianças pastoras. Na minha perspectiva isto afronta diretamente o bom censo, a ética, a moral e principalmente a Deus. Ora, criança tem que ser criança! Viver o lúdico, a fantasia, desfrutar do riso, da alegria. Até porque, quando isso não acontece, a criança emocionalmente adoece. Infelizmente inúmeros pais no afã de apresentarem Cristo a seus filhos, exigem de seus meninos e meninas um comportamento “adultizado”, o que a médio-longo prazo pode levá-los a uma enorme revolta contra Deus e sua igreja.

Ora, a vida é bela, é deve ser vivida momento a momento. A criança deve se comportar como criança, até porque é sendo criança, vivendo como criança, não queimando etapas, nem tampouco ultrapassando os limites naturais da vida é que poderão no futuro construir um mundo melhor.

Pense nisso!

Fonte: Blog de Renato Vargens

4 comentários:

Sandra Letícia disse...

Concordo com você. A Adultização das crianças só as prejudica. interfere inclusive na maneira como elas irão relacionar-se com Deus.
Na tentativa de livrá-las dos enganos do mundo, esses pais e líderes acabam envolvendo-as num engano na própria igreja.
Sou cristã desde pequena, e lembro que em cada etapa de minha vida Deus tinha uma representação diferernte, e nãio errada, mas que se envcaixava na minha capacidade, biológica mesmo, de entendê-lo.
Temos que tomar cuidado. è verdade que a imitação é uma forma da criança abstrair o mundo, sintetizar uma informação, mas isso só vale quando se refere ao ato de brincar e este sim é um momento crucial que essas crianças acabam perdendo e depois podem não entender direito em que mundo estão vivendo e por que.

claudio pimenta disse...

Otima materia! criança nao tem maturidade para ter uma responsabilidade tao grande ! a maioria dos adultos nao tem imagina uma criança! a que ponto a exploraçao da fé tem chegado! nao que eu seja contra crinça louvar ou de vez em quando trazer uma palavra ate para incentiva-la nos caminhos do senhor!

Pr. Luiz Fernando disse...

Acho engraçado como adultos inconsequentes denominam crianças como pastores. Os padrões bíblicos para pastores são os mais elevados e nunca se referem a crianças e sim a homens adultos. Roubam a infância das crianças e posteriormente colherão os desajustes emocionais causados por tamanha atrocidade. Que pena! Somente demonstra que sem Palavra de Deus vale tudo em nome de Deus.
Pr. Luiz Fernando

Anônimo disse...

excelente artigo, concordo plenamente. Não acho que a criança deva ser reprimida, caso tenha o desejo de evangelizar/pregar. Mas sem dúvida, convencer e estimular um amadurecimento antecipado é um mal e não deve acontecer. Quando aos tiques, evangeliquez e etc, pregadores que gritam tentando assim, impactar seus interlocutores, nada me faz ter mais vontade de o culto acabar logo... cansam meus ouvidos. Apenas mais um articífio para maus oradores.

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