sábado, 13 de junho de 2009

É preciso incomodar os pecadores


Aos arrogantes digo: Parem de vangloriar-se! E aos ímpios: Não se rebelem! (Sl 75.4.)

Os pecadores não estão totalmente livres para pecar com tranqüilidade. Continuam pecando, mas a pregação os incomoda. Esse é o papel do profeta. É por isso que Deus falou com Ezequiel: “Você lhes falará as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 2.7). O povo é obstinado e rebelde e chega a tapar os ouvidos para não ouvir a pregação, mas é preciso pregar, provocar desconforto, gerar culpa, convencê-los do pecado. A mesma palavra dada a Ezequiel foi dada a Paulo quando ele esteve em Corinto: “Não tenha medo, continue falando e não fique calado” (At 18.9).

Não são os pregadores os únicos que falam contra o pecado. Mesmo “fraca” (1 Co 8.7), a consciência ainda reside em muitos corações maus e os incomoda. Mais do que ela, o Espírito não cessa de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). A soma disso tudo, da voz de dentro (a consciência), da voz de fora (o profetismo) e da voz de cima (o ministério acusador do Espírito), é um tropeço contínuo na vida humana sem o temor do Senhor. O incômodo só acaba quando o homem se arrepende e se converte. O inferno nada mais é do que viver sob condenação para todo o sempre depois da morte física, caso não aconteça a salvação.

Embora o salmista diga aos arrogantes “Parem de vangloriar-se!” e aos ímpios “Não se rebelem!” (Sl 75.4), os arrogantes continuam a se vangloriar e os ímpios a se rebelar. Vale a pena transcrever a dura lamentação de Jeremias: “Durante vinte e três anos a palavra do Senhor tem vindo a mim, desde o décimo terceiro ano de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje. E eu a tenho anunciado a vocês, dia após dia, mas vocês não me deram ouvidos” (Jr 25.3). A experiência de Jesus não é diferente: “Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos [...], mas vocês não quiseram” (Mt 23.37).

Retirado de Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos (Editora Ultimato, 2006).

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