sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Prá não dizerem que não falei das ondas no meio evangélico..."


Na cultura evangélica de nosso país tem sido comum atribuir-se à vontade de Deus os grandes movimentos. Em teologia alguns usam a expressão "ondas" para conceituá-los. Eles são caracterizados por fenômenos e resultados arrebatadores. Aí dos que discordam. São carnais ou no mínimo cerceiam a ação do Espírito Santo. Alguns exemplos ainda estão na memória popular. Quem não se lembra dos "dentes de ouro"? A onda passou quando divulgou-se que o mesmo fenômeno se reproduzia em contextos não cristãos. A onda do cai-cai (no Espírito) só teve arrefecimento quando Edir Macedo começou a pregar, aos quatro cantos, que aquilo não vinha de Deus. E desafiava os discordantes a apresentarem base bíblica. Ouvi dele, certa vez: "Só cai quem está com o diabo no corpo!". Cheguei até a admirar o polêmico pastor. Nesses e outros casos a minoria discordante não foi poupada pelos mais "espirituais".
Mas nem sempre as multidões seguem a verdade. E aquieto o meu coração quando percebo que em muitas questões faço parte de uma minoria e muito mais quando descubro nas páginas da Bíblia o salmista dizendo que não buscava coisas grandiosas demais para si. Aquietava o seu coração com a busca de uma espiritualidade mais simples. Como não lembrar do próprio Cristo referindo-se aos que criam, mesmo sem ver determinadas coisas espetaculares, como "bem-aventurados". Estaria Ele criticando os que necessitam de ondas e modismos "espirituais" para manterem acesa a chama da paixão por Jesus Cristo? Não sei. Quem sou eu para julgar. Mas, tenho minhas dúvidas de que realmente estejamos vivendo, no Brasil, o período de um grande avivamento e que a prova disto são essas manifestações atribuídas ao Espírito Santo.
Na verdade, como o conhecido pregador assembleiano Ricardo Gondim, ando um pouco cansado com tudo isto. Me deprimo, às vezes, quando ligo a TV e me fixo em determinados programas "evangélicos". As histerias coletivas, os espetáculos dos pastores-shows, os "shows" de determinadas "estrelas evangélicas", os testemunhos centrados em prosperidade material, o marketing em cima de determinados "magos" que cobram altos cachês para falarem do que "Jesus fez por eles", tudo isto e muito mais me parece muito distante dos paradigmas que vejo nos evangelhos. E chego a entender porque muitas pessoas não se aproximam do cristianismo. Há muita incoerência em nosso meio. Não é difícil de perceber. Pena que muitos estejam cegos prá perceber isto. Talvez o tempo tire as vendas de muitos olhos. E isto talvez se dê com a benção de um legítimo avivamento sobre o povo de Deus. Sonho com isto!
Prá terminar: quase fui linchado, tempos atrás, quando questionei determinadas "conversões" do meio artístico. Ousei criticar a Gretchen e Monique Evans, que falavam de conversão à fé evangélica, mas mantinham uma o rebolado e outra a prática de receber convidados, num programa de TV, semi-nua. Hoje leio em um site que a "irmã" Gretchen como alguns diziam vai fazer um filme pornô. A Monique... não sei por onde anda. Mas, o Edir Macedo sei que tem um canal de TV, a Record, que em horários nobres atrai os demônios da lascívia, adultério e outros, mas de madrugada os expulsa, "em nome de Jesus" em programas de sua Igreja. Meu Deus, tenha misericórdia. Assim não dá...

Créditos: Por Rev. Vivaldo Melo

2 comentários:

Levi Bronzeado disse...

Caro João Paulo

E$$e pe$$oal da onda go$pel, já tem um "Pai no$$o" - foi postado há poucos minutos no www.levibronze.blogspot.com (rsrsrs)
Confira.

João Paulo Fernandes disse...

Adorei o texto “O PAI NOSSO” ─ MODELO EMPRESARIAL GOSPEL, mas o texto EU DUVIDO DESSE "DEUS" é simplemente maravilhoso!Uma denuncia contra os verdadeiros mercadores da fé.Que Deus te ilumine sempre Levi!

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