domingo, 19 de abril de 2009

Igreja atual: uma geração de Cristãos alienados

É triste constatar, mas é verdade: o atual sistema evangélico-eclesiástico tem produzido uma geração inumerável de cristãos alienados.

Mas, o que significa o termo "cristão alienado"? Para iniciar essa explicação, nada melhor do que colher a definição de "alienação", constante do "Dicionário de Filosofia" de Nicola Abbagnano. Peço ao leitor que não tente compreender toda a terminologia filosófica utilizada para o esclarecimento de "alienação". Ater-se ao significado das palavras que estão em negrito já é suficiente.


(in. Alienation; fr. Alienation; ai. Entfremdung; it. Alienazioné). Esse termo, que na linguagem comum significa perda de posse, de um afeto ou dos poderes mentais, foi empregado pelos filósofos com certos significados específicos.

1. Esse termo foi empregado por Rousseau para indicar a cessão dos direitos naturais à comunidade, efetuada com o contrato social. "As cláusulas deste contrato reduzem-se a uma só: a alienação total de cada associado, com todos os seus direitos, a toda a comunidade" (Contrato social, I, 6).

2. Hegel empregou o termo para indicar o alhear-se a consciência de si mesma, pelo qual ela se considera como uma coisa. Este alhear-se é uma fase do processo que vai da consciência à autoconsciência.

3. Esse conceito puramente especulativo foi retomado por Marx nos seus textos juvenis, para descrever a situação do operário no regime capitalista. Segundo Marx, Hegel cometeu o erro de confundir objetivação, que é o processo pelo qual o homem se coisifica, isto é, exprime-se ou exterioriza-se na natureza através do trabalho, com a alienação, que é o processo pelo qual o homem se torna alheio a si, a ponto de não se reconhecer. Enquanto a objetivação não é um mal ou uma condenação, por ser o único caminho pelo qual o homem pode realizar a sua unidade com a natureza, a alienação é o dano ou a condenação maior da sociedade capitalista. A propriedade privada produz a alienação do operário tanto porque cinde a relação deste com o produto do seu trabalho (que pertence ao capitalista), quanto porque o trabalho permanece exterior ao operário, não pertence à sua personalidade, "logo, no seu trabalho, ele não se afirma, mas se nega, não se sente satisfeito, mas infeliz... E somente fora do trabalho sente-se junto de si mesmo, e sente-se fora de si no trabalho". Na sociedade capitalista, o trabalho não é voluntário, mas obrigatório, pois não é satisfação de uma necessidade, mas só um meio de satisfazer outras necessidades. "O trabalho exterior, o trabalho em que o homem se aliena, é um trabalho de sacrifício de si mesmo, de mortificação" (Manuscritos econômico-filosóficos, 1844, I, 22).

4. Esse uso do termo tornou-se corrente na cultura contemporânea, não só na descrição do trabalho operário em certas fases da sociedade capitalista, mas também a propósito da relação entre o homem e as coisas na era tecnológica, já que parece que o predomínio da técnica "aliena o homem de si mesmo" no sentido de que tende a fazer dele a engrenagem de uma máquina.

5. Na linguagem filosófico-política hoje corrente, esse termo tem os significados mais díspares, dependendo da variedade dos caracteres nos quais se insiste para a definição do homem. Se o homem é razão autocontemplativa (como pensava Hegel), toda relação sua com um objeto qualquer é alienação Se o homem é um ser natural e social (como pensava Marx), alienação é refugiar-se na contemplação. Se o homem é instinto e vontade de viver, alienação é qualquer repressão ou diminuição desse instinto e dessa vontade; se o homem é racionalidade operante ou ativa, alienação é entregar-se ao instinto. Se o homem é razão (entendida de qualquer modo), alienação é refugiar-se na fantasia; mas, se é essencialmente imaginação e fantasia, alienação é qualquer disciplina racional. Enfim, se o indivíduo humano é uma totalidade auto-suficiente e completa, alienação é qualquer regra ou norma imposta, de qualquer modo, à sua expressão. A equivocidade do conceito de alienação depende da problematicidade da noção de homem.


Partindo da explicação acima, pude vincular a palavra alienação à "perda" e à "limitação da expressão e da potencialidade". Toda vez em que o homem perde alguma coisa, tanto externa quanto interna, ou é limitado, de alguma forma, para que não venha a expressar tanto corporal quanto verbalmente, toda a potencialidade que lhe é inerente, ele se torna um alienado.

Agora estamos, em condição de explicar qual o "modus operandi" que as igrejas tem adotado para transformar os seus membros em cristãos alienados.

1 - O estudo e a exposição clara e contínua da Palavra de Deus não são incentivados. Tanto nos cultos, quanto nas festivades, o tempo é quase todo tomado por homenagens, cantores, jograis, etc., ficando pouquíssimos minutos para a Palavra de Deus. Esse estratagema evita que o cristão venham a ter um conhecimento mais profundo das Escrituras, impedindo, consequentemente, que ele venham a desenvolver uma consciência mais nítida de seu verdadeiro papel como filho de Deus.

2- Há uma intenção deliberada de impedir que os cristão venham a tomar conhecimento de seus direitos. Quase ninguém sabe que o membro tem o direito de obter uma cópia do Estatuto e do Regimento Interno da Igreja, documentos nos quais constam os direitos e os deveres dos membros e dos obreiros, assim como o modo pelo qual a igreja deve estruturada e administrada. Ninguém sabe que é um dever do pastor prestar contas das receitas e despesas da igreja. Todos são ensinados a não perguntar sobre o destino de seus dízimos, sob a alegação de que não se pergunta por algo que se paga a Deus. Quase ningúem sabe que, se for "excluído" tem o direito de defesa em uma assembléia específica. O que se dá a conhecer ao membro são apenas seus deveres.

3- Constrói-se uma doutrina, ainda que velada, da infalibilidade do pastor. Ele passa a ser visto como o santo, o profeta, o magnânimo, o perfeito, cujas ações não podem ser contestadas por ninguém. Qualquer crítica quanto à atitude do "ungido" é considerada como aberta resistência demoníaca.

4- Ensina-se ao crente que ele não deve nunca "murmurar". Deve aceitar passivamente a todas as regras do sistema, submetendo-se totalmente a elas. O mesmo é persuadido a aceitar que a benção divina só virá como resultado de sua irrestrita "obediência" (na verdade, obediência é o nome que eles dão à subserviência e à bajulação).

5- Ao cristão é ensinado que "a letra mata, mas o espírito vivifica". Distorcem assim, a Palavra de Deus, para justificar o desprezo total pela razão, como critério justo de julgamento das manifestações espirituais. Leva tempo para o cristão perceber que a letra que mata é a letra da Lei, mas não a letra das orientações apostólicas quanto à forma de julgar as doutrinas e modismos heréticos. Ensina-se que é errado julgar essas manifestações, pois o homem carnal não entende as coisas do espírito. Há uma total inversão: manifestações puramente carnais, baseadas na fantasia humana, como sopro, riso, rastejamento, quedas, são revestidas de um caráter espiritual, enquanto que um discernimento, baseado na Palavra de Deus, é uma atitude carnal. Dessa forma, toda a racionalidade é sacrificada, restando apenas um ser irracional, que é difícil identificar como sendo gente.

Eu poderia relacionar aqui outras estratégias, utilizadas por líderes perversos, para alienar o cristão de sua situação original de filho de Deus, co-administrador da obra de Deus, embaixador, herdeiro de Deus, adorador racional, sacerdote de Deus, etc.

Infelizmente, em muitas igrejas, o cristão tem de sacrificar toda a sua individualidade, bom senso, capacidade crítica e autonomia, caso queira ser aceito pelo sistema. Se não escrever, de acordo com a cartilha, está fora. Os cristãos dessas igrejas deixaram de ser gente e passaram a ser número, estatística, apenas. São como ovelhas, das quais o que se quer é apenas carne e leite. Quanto ao perigo dos lobos as devorarem, eles dizem: "que se dane".

É impressionante como essa massa incontável de alienados é facilmente controlada. São como uma manada de bois que seguem o som das buzinas, o estalo do chicote e o grito do boiadeiro. E todos obedecem, sem reclamações, sem contestações. Infelizmente desconhecem a força que têm.

Meus Deus! Quando isso vai terminar? Como foi que deixamos isso acontecer?

Pobres alienados!

Autor: Cristiano Santana
Via: Bereianos

2 comentários:

blog Púlpito Cristão disse...

Paz João!

Bacana o blog! Aceita parceiria?

Abraço,

Leonardo G. Silva
www.pulpitocristao.com

João Paulo Fernandes disse...

Na hora Leonardo,hoje mesmo eu coloco seu banner aqui no blog. Só tem um pequeno problema, eu não tenho banner ainda,parece ser algo simples,mas não sei fazer essas coisas...rsrsrsr. Abraço e continue conosco.

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