sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cegueira Voluntária


É domingo, 18 ou 19 horas, as pessoas se acomodam para aguardar o início das atividades. A própria entrada no templo já é o começo da liturgia onde a maneira de se cumprimentar já denunciam a o ramo do protestantismo do qual os irmãos fazem parte.
Salvo as pequenas diferenças, prédios luxuosos com ar condicionado, pequenas lojinhas amontoando dezenas de pessoas, mulheres separadas de homens, rapazes de bermudão e camiseta, no mais são todos membros de um mesmo grupo. e domingo após domingo as coisas correm da mesma maneira. A pregação substituindo a homilia e o momento destinado aos dízimos e ofertas são ponto comum em quase todas as reuniões.
Pra quem observa esse cenário de comunhão em torno da causa comum do cristianismo nada percebe de estranho. Tem a aparência de ser só mais um grupo na sociedade tentando compartilhar alegrias e tristezas, tentando fazer o que é certo. e buscando auxiliar uns aos outros no caminho da perfeição, e parecem conseguir. Porém perfeição demais é sempre desconfiável. Há algo de podre no reino da dinamarca.
Dois mil anos foi tempo o suficiente para que caça se tornasse caçador. Os que eram hereges ganharam status de mensageiros da salvação o que por si só não é ruim. O carretel se desenrola quando descobre-se. nos bastidores, que quem combate o farisaismo também é fariseu.
Enquanto no reino da perfeição evangélica as coisas vão de vento em popa, nos calabouços do castelo a coisa vai de mal a pior. Enquanto uns se dividem entre louvores orações e palmas, pastores escoltados com escopetas calibre 12 carregando a fiel contribuição dos fiéis caminham em direção ao desconhecido (para os colaboradores). Em outros lugares, coisa é mais explícita, um sacerdote entra no templo portando um revólver e quase na base da pancada destitiu o pastor, que estava no pulpito, de suas atividades.
Em outras regiões desse reino, descobre-se que um fiel combatente contra a homossexualiadade tem uma tendência a amizades coloridas com rapazes. Isso é pouca coisa, comparada aos casos dos que, no dia separado, sobrem no sacro altar para condenar o adultério e no meio da semana fazem irmãs conhecerem o caminho nada santo dos letreiros luminosos.
Faltariam caracteres para expor tudo aquilo que corre em boca miúda no meio daqueles que se dizem separados e chegam ao ponto de chamar os que não são seus pela alcunha de os do mundo, como se eles mesmos não fossem desse mundo, fossem espíritos desencarnados.
Longe de mim condenar os atos falhos dos homens de deus que sabemos, por serem homens, são falhos. O que me admira é a cegueira voluntária, doença que a cada dia afeta mais pessoas que fecham os olhos para tudo que veem e preferem continuar a conviver com o farisaismo de seus lideres usando a desculpa medíocre do “o que ele fizer prestará conta com Deus”.
O Sal da Terra e a Luz do Mundo resolveu ser Sazon e Farol de Xenon a qualquer custo, mesmo que seja ao custo do compromisso com o divino e da comunhão verdadeira, que não tem nada a esconder.
E que me perdoem os amados irmãos evangélicos, mas eu preciso enxergar.

Créditos:Robson Madeira

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