domingo, 22 de março de 2009

A Prefeitura vai liberar quase R$ 1 milhão para a Parada Gay deste ano

A Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (Cads), órgão da Secretaria Municipal de Participação e Parceria de São Paulo, deve receber em 2009 quase R$ 1 milhão para colocar em prática seus projetos, incluída aí a verba para a realização dos eventos da Parada de São Paulo (14 de junho). A confirmação do dinheiro foi publicada no Diário Oficial do Município de São Paulo no último sábado, 7, mas ainda não é hora de comemorar porque todo o orçamento da prefeitura paulistana está congelado devido à crise mundial.

No total, serão destinados à Coordenadoria R$ 936.202. R$ 350 mil são provenientes de uma emenda parlamentar ao orçamento deste ano feita em 2008 pela então vereadora Soninha Francine (PPS), conquistada depois de conversas entre os vereadores paulistanos e o ex-coordenador do órgão, Cássio Rodrigo. Com a emenda, o recurso deixa de sair dos caixas da Cads, deixando seu orçamento mais aliviado – antiga reivindicação dela.

Uma dúvida, pertinente, de muita gente é como serão gastos esses R$ 350 mil. Coordenador da Cads, Franco Reinaudo explica que o dinheiro é repassado para a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), responsável por realizar os eventos, em forma de infra-estrutura, ou seja, a entidade lista suas demandas para a Cads, que, por sua vez, proporciona a infra-estrutura.

Entram aí gastos com a instalação de banheiros químicos, palco, som, cones de trânsito, grades de proteção, material de divulgação, alimentação de policiais e guardas municipais e mais uma infinidade de coisas necessárias para que a caminhada e os eventos que a circundam corram bem. “Assim fica claro que não tem como a Associação colocar a mão no dinheiro público, como dizem, só se colocarem um banheiro químico na bolsa, eles não recebem dinheiro vivo”, esclareceu Franco ao Mix.

Os R$ 586.202 restantes serão aplicados na execução dos projetos desenvolvidos pela Cads. “Dá para fazer muita coisa, para quem não tinha nada antes é bastante”, considera Franco. Esses projetos são divididos em duas linhas de prioridade, sendo que a primeira diz respeito à capacitação, educação e sensibilização dentro da própria prefeitura e de seus alcances como nas escolas municipais e no preparo dos aparelhos turísticos da SP Tur, órgão oficial de turismo paulistano.

A segunda linha de prioridade, não menos importante, é a rede de proteção dos atendidos pela Cads, que envolve as ações do Centro de Combate à Homofobia e do Centro de Referência da Diversidade, ligado à Secretaria de Assistência Social, e realizações como o POT especialmente voltado para LGBT. Tudo isso, é bom deixar claro, ainda depende do descongelamento do orçamento municipal. Franco esclarece que a falta do repasse das verbas afeta atualmente todas as secretarias municipais. Os recursos estão sendo liberados aos poucos, conforme a necessidade de cada um.

O que vem por aí…

Para este ano, a Praça Benedito Calixto, point gay aos sábados no bairro de Pinheiros, vai contar com um espaço especialmente reservado para que travestis exponham seus produtos para serem comercializados - e não precisem mais serem elas mesmas a mercadoria à venda. Os produtos serão produzidos sempre tendo algo que os identifique como frutos desse projeto “para agregar mais valor à mercadoria”.

Além disso, o coordenador revelou que a Cads está em conversação com a Universidade de São Paulo (USP) para juntas criarem um espaço que deve abrigar publicações, trabalhos, fotos e demais materiais documentais sobre LGBT. Um domínio virtual também está sendo estudado. “A ideia é criar uma memória mesmo, ter um banco de dados que possa ser pesquisado”, explica.

Fonte: UOL

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