terça-feira, 31 de março de 2009

Era uma vez... Um culto tipicamente pentecostal



Atenção: este texto é uma ficção! Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...

Certa vez, a irmã Mariazinha foi convidada para visitar a igreja de uma amiga. Fora-lhe dito que o culto na Igreja Evangélica Pentecostal começava às 18h no domingo. Por isso, a irmã Mariazinha procurou se arrumar bem rápido para evitar chegar atrasada.

Chegando à igreja, deparou-se com o templo vazio.

-Será que cheguei muito cedo? - pensou consigo.

Olhou em seu relógio: 17h55.

-Não, estou no horário certo. Será que hoje não haverá culto? Mas a irmã Filomena me disse que hoje haveria culto normal...

Um pouco desconfiada, a irmã resolveu entrar no templo e esperar. Afinal, estava 5 minutos adiantada, e talvez os irmãos dessa congregação fossem realmente muito pontuais.

Às 18h15, um senhor de cabeça branca subiu no púlpito e, a julgar pelo fato de ter posto seu paletó na cadeira do meio, a irmã Mariazinha presumiu que ele fosse o pastor.

-Irmãos, a Paz do Senhor! Vamos orar de joelhos por 20 minutos antes de começar o culto. - disse o pastor.

A irmã Mariazinha, então, ajoelhou-se em seu lugar e começou a fazer sua oração. Antes, porém, percebeu que já havia pelo menos uma meia dúzia de pessoas no templo.

Durante sua oração, de repente, a irmã Mariazinha foi interrompida por uma estranha sensação: duas irmãs que chegaram atrasadas quase a atropelaram ao passar por sobre suas pernas para assentar-se no mesmo banco que ela. Ignorando o fato, irmã Mariazinha continuou sua oração, porém um som de vozes que não parecia exatamente uma oração a incomodou. Relutante, ela abriu os olhos e viu que as duas irmãs que chegaram atrasadas e a atropelaram estavam ajoelhadas a seu lado, mas ao invés de orar estavam conversando assuntos não muito espirituais...

-Mas você tem certeza disso?
-Claro que tenho! Eu vi com meus próprios olhos!
-Espera só até o pastor descobrir! O bicho vai pegar!
-Não vejo a hora de ele ficar sabendo! Assim ela vai parar de ficar dando uma de santa! Não te falei que uma hora a máscara cai?

Não acreditando no que via e ouvia e não conseguindo mais se concentrar em sua oração, a irmã Mariazinha resolveu sentar-se no banco. Ficou surpresa ao ver que o templo agora já estava bem mais cheio, mas apenas duas pessoas estavam realmente orando de joelhos. Os demais conversavam, andavam, se cumprimentavam ou simplesmente esperavam o período de oração acabar.

Passados os 20 minutos, o pastor tomou o microfone e deu início ao culto – às 18h35 -, passando a oportunidade para os irmãos do louvor congregacional que seriam acompanhados pela orquestra.

Durante o primeiro hino do Hinário, poucas pessoas cantavam – a maioria conversava e andava pela igreja -.

-Talvez eles não conheçam este hino. - pensou a irmã Mariazinha.

No segundo hino, porém, a situação se repetiu, e da mesma forma no terceiro.

Durante o terceiro e último hino, dois músicos da orquestra chegaram atrasados, mas conseguiram preparar seus instrumentos e arrumar um lugar para sentar a tempo de tocar a última estrofe – ufa! Quando o hino terminou, guardaram seus instrumentos e saíram do templo. Aliás, foram poucos os músicos da orquestra que permaneceram em seus lugares após o período em que eles realmente tinham uma participação efetiva no culto.

Após o louvor congregacional, chegou o momento de fazer a leitura oficial da noite. O pastor pediu que todos abrissem suas bíblias no Salmo 23 a fim de fazerem uma leitura responsiva. Poucos, porém, estavam acompanhando a leitura. Muitos nem sequer tinha levado Bíblia!

Na oração que se seguiu à leitura, o mesmo aconteceu: a maioria permaneceu de olhos abertos, alguns conversando, outros andando... Dava a impressão de que todos estavam alheios ao que acontecia no culto.

O pastor, então, deu oportunidade para que o Grupo de Jovens apresentasse seu louvor. No meio do hino, uma comitiva de irmãos de repente resolveu chegar ao culto – às 19h20! - e, como eram todos muito fraternais, fizeram questão de sair cumprimentando todo mundo, mandando tchauzinho pra um, dando beijinho no outro e perguntando aquelas coisas básicas de se perguntar quando a gente encontra um conhecido, do tipo: “E aí, como vai a família?”, “Seu filho já conseguiu emprego?”, “Quando vai ser o casório da sua filha?”, e coisas do gênero. Tudo bem a gente se preocupar com os irmãos e tal, mas nesse caso específico tinha um pequeno probleminha: o culto estava em pleno andamento!

A irmã Mariazinha surpreendeu-se pelo fato de, além de chegarem todos atrasados, os irmãos ainda estavam atrapalhando os demais que já estavam lá!

-Bem, - pensou a irmã Mariazinha – eu preciso tentar me concentrar no culto.

Mas no fundo, no fundo ela sabia que seria um tanto difícil conseguir se concentrar com aquela diaconisa na porta lateral que ficava mascando chiclete com a boca aberta e encarando todos os irmãos como se estivesse brava com eles...

Além disso, havia um outro fator de distração: um jovem casal, com o intuito de ter um pouco de sossego (pelo menos) na hora do culto, deixava sua adorável filhinha de cerca de 4 anos correndo pelos corredores da igreja. A menina era realmente uma gracinha: chamava a atenção de todos, muito mais do que o coral – que era o grupo que cantava agora – era capaz de fazer com seu belo arranjo vocal.

Enquanto todas essas coisas aconteciam, as adolescentes da igreja ficavam andando pra lá e pra cá o tempo todo, como se estivessem em um desfile de modas.

O irmão da recepção realmente não conseguia ficar parado! Andava o tempo todo, conversava com as pessoas, sempre chamando as atenções para si. Dava a impressão de que ele queria continuar recepcionando todos os que já estavam no templo! Além disso, ao que parece, ele não tinha muita noção de espaço, pois insistia em colocar mais uma pessoa num banco onde já havia pelo menos seis... Todos o olhavam torto, mas ele não se incomodava muito com isso.

No púlpito, os obreiros deviam estar realmente muito atarefados: subiam e desciam de lá toda hora, saíam e entravam da igreja e conversavam uns com os outros sem parar.

Falando em conversa, dava pra perceber que o povo dessa igreja era realmente chegado numa prosa! O tempo todo era possível ouvir o zum-zum-zum de pessoas conversando durante o culto.

Quando o pastor anunciou a oração que antecederia ao momento da pregação da Palavra, a irmã Mariazinha lembrou-se de que tomara muito chá à tarde e concluiu que esse seria o momento ideal para ir rapidamente ao banheiro. Quando chegou lá, surpreendeu-se com o que viu: um monte de irmãs conversando e gargalhando no banheiro, vários jovens conversando (e uns até namorando e se agarrando) no portão da igreja, uma infinidade de irmãos (inclusive alguns obreiros) tomando café e comendo um salgadinho na cantina... parecia uma feira! E tudo isso na hora do culto!

Irmã Mariazinha voltou à nave da igreja e sentou-se em seu lugar, perplexa.

-Bom, pelo menos posso aproveitar o momento da Palavra!

Poderia, se não houvesse tantas pessoas conversando e atrapalhando sua concentração durante todo o período da pregação!

Coitada da irmã Mariazinha! Saiu da igreja de sua amiga naquela noite com uma péssima impressão de que os membros daquela igreja eram todos mal-educados e irreverentes, além de aparentemente desconhecerem o que está escrito em Eclesiastes 5.1:

“Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.”

Ainda bem que essa igreja pentecostal que a irmã Mariazinha visitou é apenas uma exceção...

Ou será que não?

Créditos: Vanessa Dutra

10 comentários:

Deus é Fiel disse...

Paz!
Excelente!
Achei muito adequado o título!
Mas onde está a ficção? rsrsr
Hoje em dia nossos irmãos estão perdendo o temor e a reverência dentro das Igrejas, mas a palavra tem que se cumprir!

João Paulo Fernandes disse...

Com certeza irmão Everson, DEUS É FIEL! E como prova disso, tudo está se cumprindo.

Bárbara disse...

Eu já fui a vários templos e cultos de diferentes denominações pentecostais... e nunca vi isso... realmente se o propósito do texto é denegrir a imagem dos nossos irmãos e provocar sentimento faccionista e preconceico... parabéns o texto tá ótimo... mas antes de sair escrevendo o a proprias opinião e generalizar tudo pergunte-se se Jesus escreveria um texto assim ou então se ele aprovaria.....Quem não ajunta espalha!

Anônimo disse...

Acontece muito mesmo....
Bárbara, vc me desculpe, mas é a pura verdade...

Anônimo disse...

ooohhhhhhhh Bárbara que é isto, vc deve se enquadrar nessas irmãzinhas fofoqueiras!!!

Bárbara disse...

Me enquadrar nas irmã fofoqueiras? olha essas não são palavras de um cristão.... julgar sem conhecer... tenho 19 anos sou líder de ministério jovem há 4 anos e estudo muito apologética e sempre vivi um vida cristã de morte diária para mim mesmo...a igreja que frequento é de origem luterana.Caro irmão (se é que vc é cristão) cuidado com suas palavras, estou longe de ser uma esquenta banco leiga em Bíblia e vida cristã...
Paz do Senhor!

Anônimo disse...

Bárbara,
Não jogue pérola aos porcos... Tenho certeza que isso não reflete a opnião de todos os membros de igrejas tradicionais.
São poucos fanáticos que dizem absurdos como esses.

Leandro

Anônimo disse...

essa irmã Mariazinha foi na minha igreja .kkkk

Gargulino disse...

Sou de uma igreja batista HIPER tradicional há 8 anos e esse episódio que foi citado como tipicamente pentecostal acontece nessa igreja batista direto! Vamos parar de generalizar?

Maicon Custódio dos Santos disse...

Interessante que a fala da Bárbara parece a oração do fariseu... Ela apenas se gaba. Lastimável.

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