sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Evangélicos honestos e evangélicos corrompidos, qual a diferença?



Os evangélicos precisam encontrar quem lhes compre o voto, o corpo, a sensibilidade, o tempo, a criatividade e a energia vital? Como resgatá-los de ideologias constituintes do vilipêndio da pessoa e do corpo, já discriminadas pela cor da pele, pelo tipo de cabelo, pela opção sexual, pelo peso e altura, se aí estão igualados na exposição da mídia como objeto de consumo do poder político? Sem falar do abuso do culto neoevangélico à corrupção (como no mito da Hidra de Lerna, monstro que habitava uma caverna e infestava o pântano por inteiro; serpente imortal, com nove cabeças indestrutíveis, hálito fétido capaz de destruir a vida ao redor).

Evangélicos oram após receberem propina. Parte da informação sobre o vídeo em que aliados do governador do Distrito Federal, alvos da Operação Caixa de Pandora, são denunciados publicamente. Cena repetida na mídia: "evangélicos agradecendo a prosperidade vinda da corrupção". O tema do povo infiel dá o tom para a pré-comemoração do Natal profano. Os textos bíblicos para o Advento, ao contrário, são quase apocalípticos: pregam a conversão, “metanoia”, fazem exigências éticas, criticam o culto e práticas religiosas sem justiça ao povo.

Isso pouco interessa aos neoevangélicos, mais uma vez apontados na corrupção política. O testemunho bíblico, pregação cortante contra a corrupção como aço temperado, é impressionante. Pessoas se comovem e se aproximam para perguntar: “Que devemos fazer?” (Lc 3.7-18). Prova da perplexidade: pessoas perceberam que o batismo cristão tem exigências quanto ao comportamento testemunhal. A resposta indica: “Convertam-se!”. No meio da sociedade brasileira somos iguais? Evangélicos honestos e corrompidos? O tripé que caracteriza a vida moderna -- dinheiro, poder e individualismo -- é a consagração da desigualdade até mesmo no nosso meio. Confundidos com a corrupção, quem diria hoje: “Evangélicos, reserva moral da nação”?

Jamais na história do mundo o culto à individualidade foi tão acentuado. Temos aqui um tempero forte para a religião da prosperidade. Característica principal da (anti)teologia neoevangélica. "Lamento que a religião esteja tão banalizada ao ponto de as pessoas não a verem como serviço a Deus e ao próximo, mas como servir-se da fé e do próximo; isso é uma inversão total de valores bíblicos", disse uma autoridade católica.

A perplexidade está na defesa dessa "religião", e que o povo evangélico se sinta justificado, confundindo ainda mais o que é verdadeiramente prosperidade como retribuição de Deus à fidelidade, fé, confiança (“emunah”), porque não há paz sem justiça em toda a Bíblia. Como admitir que Deus possa ser homenageado pela corrupção, chantageado ou transformado num caixa eletrônico, porque é fiel ao crente corrupto?

Recuperar a concepção da alma evangélica como totalidade viva (“nephesh”, no hebraico bíblico: corpo e alma, vida ética, pessoal e socialmente) torna-se uma tarefa prioritária de reconstrução do conceito para o cristão bíblico (“Eis que faço novas todas as coisas...”, Ap 21.5b). A integridade evangélica sofre violências incríveis, como a ganância pelo poder. Fome, sede, nudez, doença, prisão referem-se a este corpo ameaçado pelo mundo contemporâneo. Sistemas econômicos mortíferos tornam-nos mercadorias vivas (como lagostas no tanque de vidro de restaurante japonês).

Necessitamos da salvação de nós mesmos, inimigos que somos do projeto de Deus, enquanto apoiadores da religião da prosperidade. As multidões, cuja infidelidade é proverbial nas Escrituras, prostituem-se facilmente, por isso não escapam da exortação: “Raça de víboras, façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram”. As alegações sobre o pertencimento a um povo eleito, álibi para desafiar as necessidades colocadas pelos profetas, são respondidas com veemência: “Eu afirmo que até dessas pedras Deus pode fazer descendentes de Abraão!”. O Novo Testamento explicita a alegria da justiça e da salvação que chegam. Sendo insensíveis, podemos ser substituídos até por pedras ou elementos naturais (“Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”).

• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. www.derv.wordpress.com

Grandes sucessos do Mi$$ionário R.R $oares


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cantora Cassiane volta para MK Music com o rabo entre as pernas”...

 Ceia de Natal na MK Music está completa!


Ontem a MK Music esteve em festa! O motivo? Cassiane, o Fiesta Sadia, chegou a tempo da Ceia de Natal da gravadora. E como todo frango vem acompanhado de farofa, Jairinho também estava ao lado de sua esposa.



No site oficial da gravadora, uma singela nota registrou a visita de Cassiane e Jairinho na MK Music com direito a uma foto do casal com Yvelise de Oliveira – reparem no murro que a velha está prestes a dar em Jairinho caso ele não sorrisse.

E por falar em registro, o canal oficial da gravadora no YouTube hospedou mais de 5 vídeos da vista ilustre da “filha pródiga” ao terreno da inimiga felina. É nítido o desconforto de Jairinho, a aula “como se falsa por um dia” com Cassiane e a cara de “você vai ter que me engolir” a la Zagalo de Yvelise de Oliveira.

Na Rádio 93 FM, ao lado de Yvelise de Oliveira, Cassiane deixou uma mensagem sobre perdão. Já era de se esperar, não é mesmo minha gente? Ou vocês acham que ela iria falar sobre a Arca de Noé?

Ela bem que poderia falar sobre mentira, ganância… Enfim, falar a verdade! Mas como tem gente que ainda acredita que Pamela é inocente quanto as suas fotos, também existem aqueles que acreditam que Cassiane e Yvelise de Oliveira se amam no amor de Cristo… Pobres almas!

Para saber mais sobre o “Dia da Falsidade” na MK Music, é só seguir a Alomara no Twitter, acessar o Site Oficial da gravadora e o YouTube.

PS: O próximo CD da cantora sairá pela gravadora em 2010.



Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914



No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol

Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada.
E de repente o silêncio é quebrado. Das trincheiras alemãs, ouve-se alguém cantando. Os companheiros fazem coro e logo há dezenas, talvez centenas de vozes no escuro. Cantam “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Atônitos, os britânicos escutam a melodia sem compreender o que diz a letra. Mas nem precisam: mesmo quem jamais a tivesse escutado descobriria que a música fala de paz. Em inglês, ela é conhecida como “Silent Night”; em português, foi batizada de “Noite Feliz”. Quando a música acaba, o silêncio retorna. Por pouco tempo.
“Good, old Fritz!”, gritam os britânicos. Os “Fritz” respondem com “Merry Christmas, Englishmen!”, seguido de palavras num inglês arrastado: “We not shoot, you not shoot!”(“Nós não atiramos, vocês também não”). 

Estamos em algum lugar de Flandres, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1914. E esta história faz parte de um dos mais surpreendentes e esquecidos capítulos da Primeira Guerra Mundial: as confraternizações entre soldados inimigos no Natal daquele ano. Ao longo de toda a frente ocidental – que se estendia do mar do Norte aos Alpes suíços, cruzando a França –, soldados cessaram fogo e deixaram por alguns dias as diferenças para trás. A paz não havia sido acertada nos gabinetes dos generais; ela surgiu ali mesmo nas trincheiras, de forma espontânea. Jamais acontecera algo igual antes. É o que diz o jornalista alemão Michael Jürgs em seu livro Der Kleine Frieden im Grossen Krieg – Westfront 1914: Als Deutsche, Franzosen und Briten Gemeinsam Weihnachten Feierten (“A Pequena Paz na Grande Guerra – Frente Ocidental 1914: Quando Alemães, Franceses e Britânicos Celebraram Juntos o Natal”, inédito no Brasil).

Por: Bruno Leuzinger

Clipe da Ratinha: "Pede agora o Espírito Santo"

Vejam que clipe tosco! A Wendy Sulca que se cuide...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pastor Pilão descendo a imigrantes com sua ferrari 360 moderna


Ainda tem gente de Deus - Stênio Marcius canta a canção "acordo"

 

Música: Acordo
Composição: Stênio Marcius


Me diga, andorinha, você que já voou o mundo inteiro
Se houve um momento só, por cima de um continente,
Por sobre qualquer cidade, em que te faltou o céu?
Será que o infinito espaço a teu redor é suficiente
Pra voares livre e viver feliz?

Me diga, peixinho dourado, senhor do vasto oceano
Que brinca nas correntezas, se esconde em velhos navios
Mergulha nas profundezas, sem nunca chegar ao fim
Será que os 7 mares que são teus têm bastante água
Pra nadares livre e viver feliz?

Puxa uma cadeira, minh'alma, que eu quero te perguntar
Porque me roubas a calma, me botas tristeza no olhar?
Vamos entrar num acordo, vida tranquila viver
Lembra daquilo que o Mestre falou:
"A minha Graça te basta!"

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

$uper $anta Ceia Feliz



Cada dia que passa eu fico mais aterrorizado com as tendências da “gospelização” do evangelho. Tá, eu sei que “gospel” é evangelho em inglês e poderia ser redundante, mas não é em português. Estou usando esse termo para explorar a acepção comercial que ele ganhou ao substituir a palavra “sacra” no mercado fonográfico (música “sacra”; música gospel. Convenhamos: o “gospel” não é muito “sacro” hoje em dia); e também porque este termo ganhou uma penetração e popularização vertiginosa devido ao crescimento da população evangélica e do mercado voltado a esse segmento. “Gospel” sempre aparece nas embalagens de cacarecos evangélicos para vender. “Gospel” é “fashion”, vende, é “cool”, é “forward-looking” (termos em inglês, por alguma razão, sempre apelam mais para a simpatia dos consumidores, como os R$, 0,99 centavos no final dos preços). “Gospel” é diferente de "evangelho", que é cafona, quadrado, “coisa de crente” - por isso uso aquele termo no sentido pejorativo de “fé-comércio”.


O movimento “gospel” é repleto de novidades para não ficar obsoleto, e sempre apela com aquele quê de “você precisa disso”, usando Jesus como seu garoto-propaganda (Não o Jesus Luz, da Madonna), mas sem nenhum respeito ou reverência que lhe são devidos, a fim de conquistar os corações mais fervorosos e lucrar.


Sempre achei que desde que a discussão sobre a fermentação ou não do pão da Santa Ceia (que foi uma das razões para o Grande Cisma – a separação da Igreja em Católica e Ortodoxa, séculos atrás), esta ordenança teria ficado imune a grandes inovações teológicas e controvérsias. Entretanto, fiquei sabendo hoje que já existem pessoas pregando que a Ceia do Senhor seja abolida, e, lógico, baseando isto na própria Bíblia que nos manda celebrá-la!


Isso me lembrou de que, há algum tempo, ouvi falar de um pastor que acrescentou outros elementos simbólicos à Santa Ceia (que “antigamente” era celebrada com pão e vinho). “Felizmente”, alguns deles não chegaram a ser Fandangos sabor presunto ou Mentos e Coca-Cola. Mas, com que direito se modifica uma celebração que o próprio Jesus instituiu, em que o pão simboliza seu corpo e o vinho seu sangue, e que deveria lembrar-nos de sua morte voluntária para pagar a pena de nossos pecados, ao mesmo tempo que testemunhamos a fé na sua volta até que ela ocorra?


Ainda bem que não tem uma rede de "fast-food" gospel (Pelo menos eu não conheço nenhuma, mas, se houver, não me avisem!). Se não, com certeza, já teríamos notícias de uma “Santa Ceia Drive-Thru” ou de um telefone de encomendas para entrega em domicílio de um “Kit Melq(uesedeque) Super Santa Ceia Feliz”!


Mas é claro, lógico e evidente que um “Kit Melq Super Santa Ceia Feliz” somente teria valor memorial, e “unção”, se fosse ingerido com a família diante de um culto veiculado por uma TV a cabo “gospel”.


Com tantas ideias mirabolantes do meio evangélico, vindas de vários lugares, cada uma mais bizarra que a outra, e na velocidade da luz, a única coisa que me surpreende é que, até agora, não inventaram um concurso de “doutrinas” e “moveres” com premiação, reconhecendo o talento e a criatividade de indivíduos cujo engenho em aproximar a fé e o comércio, seguindo os moveres capitalistas dos “ungidos” desses Brasilzão (e dos States), os quais mexem uns milionésimos de porcento no nosso PIB e deixam, pelo menos, os seus consumidores e o Fisco muito contentes (isso quando não ocorre junto coisas como lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e evasão de divisas...).


Mas eu vou parando por aqui, que eu não quero dar mais ideias (e preciso registrar com a máxima urgência a patente destas antes que alguém o faça).


Fonte: Vi no blog nao-obrigado

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Freddie Mercury Prateado entrevista o "pastor" Marco Feliciano


"Oração da propina" escandaliza e arranha credibilidade de evangélicos


 

(ALC) A Ordem dos Ministros Evangélicos do Gama, cidade satélite de Brasília, protocolou na Câmara Legislativa do Distrito Federal pedido de cassação de mandato do governador José Roberto Arruda, suspeito de comandar esquema de corrupção que inclui a distribuição de dinheiro a deputados da base aliada.

A representação da Ordem dos Ministros Evangélicos foi encaminhada na quarta-feira, 2, pelo pastor Oséa Rodrigues de Oliveira, depois que a Polícia Federal deflagrou, no dia 27 de novembro, a operação Caixa de Pandora.

Arruda, do partido DEMocrata, aparece, numa das gravações, recebendo dinheiro do seu ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, autor das denúncias. As imagens mostram políticos acomodando o dinheiro em sacos de papel e meias.

Evangélicos ficaram escandalizados com a “oração da propina”, proferida pelo presidente da Câmara Legislativa, deputado Leonardo Prudente, do DEM, e pelo corregedor da casa, deputado Júnior Brunelli, do Partido Social Cristão (PSC), acusados de envolvimento no esquema de corrupção. Na oração, eles agradecem a Deus pela “bênção” de terem Durval Barbosa em suas vidas, que integrava o governo Arruda.

Indagado sobre o uso e significado da oração quanto a questões públicas, o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Walter Altmann, esclarece que ela é uma interlocutora “confiante e despojada com Deus”, mas nunca um instrumento de busca ou registro de benefícios pessoais injustificados.

Pessoas cristãs também intercedem em favor das autoridades constituídas, “pedindo a Deus que as oriente em suas ações, para que estejam sempre voltadas ao interesse público, em particular às necessidades das pessoas mais vulneráveis.”

Altmann destaca que a Igreja não foi constituída para ser um balcão de negócios, mas é a comunidade de pessoas falhas, mas agraciadas que exercem a liberdade cristã obtida no serviço desinteressado ao próximo e no louvor a Deus.

A IECLB, disse, espera que as responsabilidades no caso do escândalo do DEM em Brasília sejam apuradas exaustivamente e que as instâncias competentes tomem as medidas cabíveis ansiadas pela população.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu oito pedidos de “impeachment” do governador. À imprensa, Arruda disse que o dinheiro que recebera era para comprar de panetones que seriam distribuídos aos pobres.


Fonte: http://www.alcnoticias.org/

Charge do Veshame - A culpa é sempre do diabo???







sábado, 12 de dezembro de 2009

Como já dizia o Cazuza " Vamos pedir piedade, SENHOR PIEDADE!"


"Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos "



Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião. (Sl 137.1.)

Junto aos rios da Babilônia. Depois da queda de Jerusalém no ano 586 a.C. Poderia ser em muitos outros lugares e em muitas outras ocasiões. Poderia ser no Egito, na Assíria, na antiga União Soviética, na Europa. Poderia ser nos campos de concentração de Berger-Belsen, Buchenwald e Dachau, na Alemanha; no campo de concentração polonês de Auschwitz; ou no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria.
Poderia ser junto ao rio Reno, na Alemanha nazista, na primeira metade do século 20.

Junto aos rios da Babilônia — os rios Tigre e Eufrates (os mesmos que cortavam o Jardim do Éden) e os muitos canais que haviam por ali. Durante o exílio forçado de sete décadas. Bastante longe da saudosa Sião, do saudoso Templo, a habitação do Senhor, dos parentes que permaneceram na saudosa pátria e dos saudosos tempos de paz com Deus. Tudo cheira saudade, melancolia, nostalgia, tristeza e dor.

Os opressores de então eram muito ingênuos ou muito insensíveis ou muito cínicos. Pois pediram aos exilados que cantassem para eles canções alegres, uma das canções do hinário de Sião. Eles atiçaram a memória e a saudade do culto e das assembléias solenes, da banda e do coro dos levitas, do Santo Lugar e do Lugar Santíssimo, dos gestos e das roupas do sumo sacerdote, do altar e do gazofilácio, dos sábados e das luas novas, da Páscoa e da festa dos tabernáculos.

Os oprimidos reagiram de modo correto: sentaram-se e choraram às margens do Tigre e do Eufrates. Suas harpas penduraram-se nos salgueiros que ali havia e negaram-se terminantemente a cantar as canções do Senhor fora da pátria, em terra estrangeira (Sl 137.1-4)!

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Minha declaração de não-fé



Existem várias e diversas declarações de fé. São documentos históricos importantes que servem como resumo daquilo que uma comunidade ou localidade específica crê. A mais conhecida delas é o Credo Apostólico, em que todo cristão se vê identificado. Há a Confissão de Westminster, a Helvética, a da Guanabara, o Pacto de Lausanne, entre outros.

Porém, como vivemos em um tempo estranho (passamos daquilo que Francis Schaeffer denomina “linha do desespero”) onde o “não” significa “sim”, o “sim”, talvez” e o “talvez”, “quem sabe, pode ser, passa lá em casa para tomar um café”, resolvo fazer uma confissão de fé diferente. Faço uma confissão de não-fé.

Não creio que o Espírito Santo mude de ideia a cada seis meses, feito barata tonta, teleguiado por gente com desejos inconfessáveis.

Não creio que Deus tenha se “esquecido” de derramar seus dons por dois mil anos, reavivando somente agora alguns dons específicos, como línguas.

Não creio em apóstolos auto-nomeados, auto-ordenados e auto-consagrados. Napoleão Bonaparte sagrou-se imperador e deu no que deu.

Não creio na autoridade bíblica de pessoas que não se submetem a outros, em atitude de total arrogância e prepotência, fazendo do espelho e do afago bajulador os melhores aliados.

Não creio que Deus tenha eleito pessoas especiais dentro de sua eleição salvadora. Tropa de elite é coisa só de filme, ou de polícia.

Não creio na total autonomia humana em fazer escolhas certas sem a ação direta de Deus, especialmente em relação à salvação. Se posso mudar de ideia sobre o que almoçar, quanto mais para algo tão importante quanto seguir a Jesus!

Não creio que meu ego, corrompido pelo pecado, seja um referencial na minha adoração a Deus. Não creio ainda que a adoração deva ser necessariamente individual. A experiência coletiva é altamente benéfica para quebrantar potenciais megalomanias.

Não creio que a submissão, ou melhor, a subserviência da igreja ao Estado seja algo do agrado de Deus. A história se repete como farsa, como bem disse Karl Marx, e Constantino serve de aviso contra a tentação de se aliar ao poder temporal e poder espiritual.

Não creio que constituições, estatutos, manuais, apostilas e coisas parecidas tenham o mesmo peso das Escrituras na vida de um cristão.

Não creio que o ego ou o espelho sejam padrão e medida para a espiritualidade e conduta na vida cristã de outros. Se temos a Bíblia como fonte inesgotável de sabedoria, qualquer tentativa de ir além disso é confissão de farisaísmo.

Não creio em barganhas com Deus. Se eu fosse abençoado única e exclusivamente com a salvação eterna, sem nenhuma bênção aqui na terra, ainda assim teria muito o que agradecer. Afinal, Deus salva e abençoa não por obrigação e pressão, mas por amor e misericórdia.

Não creio no divórcio entre minha vida religiosa e minha vida, digamos, “civil”. Os puritanos tinham um lema genial: “Aquilo que você faz fala tão alto que não consigo escutar aquilo que você diz”. São separações assim que geram episódios bizarros como a “oração pela propina alcançada”.

Não creio em demônios que tomam conta de certas regiões geográficas, ou mesmo de anjos que os combatem nessas mesmas regiões.

Não creio em copo de água em cima da televisão, rosa ungida, toco de carvão, corredor de sal grosso e outras “macumbas gospel”. Os sacramentos são elementos comuns (pão, água, vinho) que servem de canal para a graça em nossas vidas. Mas tudo o que citei anteriormente, em vez de ser só uma cópia malfeita dos sacramentos, é, em sua essência, tentativa de manipular um pretenso mundo espiritual a favor daquele que pede.

Vou terminar minha declaração de não-fé com uma declaração de esperança: “Creio e espero que Deus, em sua infinita graça, venha restaurar os corações e as mentes da igreja evangélica brasileira, tornando-a saudável e livrando de seus tumores e mau humores. Derrama sua graça sobre nós, Senhor!”.


Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO.

Enquanto isso, na sessão do descarrego - Ex-noiva de Exu caveira